Cães e gatos podem desenvolver câncer por fumaça de cigarro

Fumar dentro de casa pode representar um risco que vai além da saúde humana. Cães e gatos expostos à fumaça do cigarro podem desenvolver problemas respiratórios e outros danos associados às substâncias tóxicas presentes no ambiente. O perigo, porém, não está apenas na fumaça inalável, pois resíduos também podem permanecer nos móveis, no chão, nas roupas e até nos pelos dos animais.
Esse fenômeno é conhecido como “fumo de terceira mão”. Mesmo depois que o cigarro é apagado, partículas e compostos químicos podem continuar presentes no ambiente, entrando em contato com os pets e aumentando a exposição a substâncias potencialmente prejudiciais.
Segundo especialistas a exposição frequente à fumaça pode provocar inflamações, danos às células e ao DNA e aumentar o risco de doenças respiratórias e tumores.
A médica-veterinária Rebeca Silva Lima alerta que alguns sinais podem indicar que o animal está sofrendo os efeitos da exposição. Entre os principais sintomas estão tosse, espirros, olhos avermelhados, falta de ar e chiado no peito. Alterações no comportamento também devem chamar a atenção dos tutores.
“Assim que perceber qualquer mudança no comportamento ou na saúde do animal, o tutor deve procurar um médico-veterinário”, orientou a médica em entrevista à Rede Onda Digital.
A recomendação, segundo ela, é manter também os cuidados preventivos. “O ideal é que o pet tenha acompanhamento periódico, com check-ups pelo menos a cada seis meses”, explica.
Gatos podem estar mais expostos às toxinas
O chamado fumo de terceira mão preocupa especialmente porque os animais não precisam estar ao lado de alguém fumando para entrar em contato com as substâncias tóxicas. Resíduos da fumaça podem se depositar em superfícies, móveis, roupas e no chão. Os pets podem absorver essas substâncias pela respiração ou ingeri-las ao lamber superfícies contaminadas.
No caso dos gatos, o risco pode ser ainda maior devido a um comportamento comum da espécie: a autolimpeza. “Os gatos são mais suscetíveis porque têm o hábito de se higienizar constantemente. Se partículas tóxicas da fumaça se acumulam nos pelos, elas podem ser ingeridas durante esse processo”, acrescenta a veterinária.
Assim, o contato frequente com ambientes contaminados pode representar uma exposição contínua, mesmo quando o tutor não fuma diretamente próximo ao animal.
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Fumar na janela ou na varanda resolve?
Fumar na janela ou em uma área externa pode reduzir a concentração de fumaça dentro da residência, mas não elimina completamente o risco, já que correntes de ar podem transportar partículas e substâncias tóxicas de volta para dentro do imóvel. Além disso, os resíduos da fumaça também podem permanecer nas mãos, no rosto e nas roupas da pessoa que fumou.
Por isso, a principal recomendação é não fumar nos ambientes frequentados pelos animais. Outros cuidados também podem ajudar a reduzir a exposição, como lavar as mãos e o rosto após fumar, manter os pelos dos pets higienizados, evitar qualquer contato dos animais com bitucas de cigarro e manter os ambientes bem ventilados e limpos.
A veterinária também reforça a importância de manter as consultas de rotina em dia.
O alerta é que o cigarro pode deixar consequências que nem sempre são percebidas imediatamente. Para quem convive com cães e gatos, proteger os animais da fumaça e dos resíduos tóxicos também deve fazer parte dos cuidados com a saúde. Afinal, para os pets, não existe uma forma completamente segura de conviver com a fumaça do cigarro dentro de casa.





