Por que a maioria das promessas de Ano Novo morre em janeiro?

(Foto: Reprodução/internet)
Janeiro começa cheio de planos, metas e aquela sensação de que, agora sim, tudo vai mudar. Academia, dieta, rotina nova, vida organizada. Mas, para a maioria das pessoas, esse entusiasmo dura pouco. Estudos indicam que cerca de 80% das resoluções de Ano Novo são abandonadas antes de fevereiro. O fracasso é tão comum que já ganhou até nome.
Dados da Universidade de Scranton mostram que apenas 8% das pessoas conseguem cumprir as metas estabelecidas no início do ano. Já o aplicativo Strava identificou a segunda sexta-feira de janeiro como o “Quitter’s Day”, o dia em que ocorre o maior número de desistências. O motivo, segundo especialistas, vai além da força de vontade.
De acordo com a psicóloga e neurocientista Anaclaudia Zani, o cérebro humano funciona em modo de autoproteção. Ele prefere repetir hábitos antigos e conhecidos, mesmo que sejam ruins, a gastar energia criando novas rotinas.
“Não é preguiça ou falta de disciplina. É o cérebro tentando economizar energia”, explica.
Criar um novo hábito exige a formação de novas conexões neurais, um processo que demanda tempo, repetição e constância. Como isso representa esforço extra, o cérebro tende a resistir às mudanças e empurrar a pessoa de volta ao chamado “piloto automático”.
Outro obstáculo está na motivação de curto prazo. No início de uma meta, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação. O problema surge quando os resultados não aparecem rapidamente. Sem recompensa imediata, o sistema de recompensa falha, e a motivação diminui.

Metas mal definidas também contribuem para a desistência. Objetivos vagos como “emagrecer” ou “cuidar da saúde” confundem o cérebro e dificultam a ação. O excesso de metas ao mesmo tempo gera sobrecarga mental, aumentando a sensação de frustração e levando à paralisação.
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Além disso, fatores emocionais como estresse e ansiedade reforçam comportamentos antigos. Nesses momentos, o cérebro busca conforto e segurança, recorrendo a hábitos já conhecidos, mesmo que sejam prejudiciais.
Para driblar essa resistência, especialistas recomendam estratégias mais realistas. Dividir grandes objetivos em pequenos hábitos diários, conhecidos como micro-hábitos, ajuda a manter a motivação ativa. Transformar “fazer exercícios” em “caminhar 10 minutos hoje”, por exemplo, gera pequenas recompensas constantes ao cérebro.

Outra dica é priorizar poucas metas, de uma a três, e acompanhar o progresso. Pequenas vitórias frequentes ajudam a sustentar a motivação e reduzem a chance de abandono.
No fim das contas, desistir das resoluções não é sinal de fraqueza. É, muitas vezes, apenas o cérebro fazendo o que foi programado para fazer: proteger energia. Entender esse funcionamento pode ser o primeiro passo para mudar de forma mais realista e duradoura.






