Sem deputado federal há 10 anos, MDB organiza nova chapa no Amazonas

(Reprodução/Youtube)
O evento de filiação promovido pelo MDB nesta quarta-feira (4/3) marcou o retorno do partido à corrida por uma vaga na Câmara Federal, algo que não acontecia desde a eleição de 2014, quando elegeu Marcos Rotta deputado federal com 7,13% dos votos válidos (107 mil votos). Desde lá, o partido focou apenas na formação de bancadas de prefeitos no interior, vereadores e na reeleição do senador Eduardo Braga.
Para formar uma nominata forte, Eduardo Braga articulou a chegada ao partido de dois dos atuais deputados federais da bancada amazonense, Saullo Vianna e Adail Filho, uma ativista com muita atuação política em Manaus, Vanda Witoto, os prefeitos do Careiro, Nathan Macena, e de Presidente Figueiredo, Fernando Vieira, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Neto.
Saullo Vianna deixa o União Brasil após passar um período como secretário Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania da Prefeitura de Manaus. Tido como uma das principais lideranças do interior do Estado, com forte atuação na região do Baixo Amazonas, Saullo foi o terceiro deputado federal mais votado em 2022. Com 127 200 mil votos, ele ficou atrás apenas de Amon Mandel (288.555 mil) e Alberto Neto (147. 800). A passagem pela Prefeitura de Manaus representa uma tentativa dele de obter uma maior densidade eleitoral na capital, onde teve a minoria de seus votos em 2022.
Ex-prefeito e filho do atual prefeito de Coari (Adail Pinheiro), município da região do Médio Solimões, Adail Filho deixa o Republicanos, partido pelo qual se elegeu deputado federal com 89,6 mil votos. Ele foi o sétimo mais votado para o posto, sendo que quase todos os votos foram do eleitorado oriundo da região de influência da família dele no médio e alto Solimões.
Vanda Witoto é uma das principais lideranças indígenas do Amazonas, sendo uma das idealizadoras do Ateliê Derequine, um coletivo que começou produzindo máscaras e hoje usa a moda ancestral como forma de gerar renda para mulheres indígenas, valorizar tradições e promover visibilidade cultural em eventos e desfiles que também levantam pautas de direitos territoriais. Ela ainda mantém em um bairro de Manaus o Instituto Witoto, que criou uma rede de proteção para pessoas em vulnerabilidade.
Eleitoralmente, ela disputou a eleição para deputada federal em 2022 pelo partido Rede Sustentabilidade e obteve mais de 25 mil votos. No atual processo, Vanda foi cortejada pelo PDT e PT, mas acabou assinando a filiação ao MDB, com grande apoio do senador Eduardo Braga.
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Joia da coroa volta à Casa
O ex-prefeito e ex-senador Arthur Neto foi a joia da coroa deste evento de filiação ao MDB, sendo saudado pelo presidente nacional da sigla, deputado federal Baleia Rossi (SP), e o tesoureiro, senador Marcelo Castro (PI).
Durante a filiação, Arthur lembrou que, ainda estudante, nos anos 70 do século passado, foi membro da primeira executiva nacional do MDB, sigla que ele traduzia como “Manda Brasa” para mostrar o ímpeto dos jovens daquela época no combate à ditadura militar (1964-1985).
Sobre a emoção de voltar ao partido, do qual se desfiliou em 1986 para disputar o Governo do Amazonas contra Amazonino Mendes, então no PMDB, Arthur Neto falou com emoção.
“Sinto que neste momento quem carrega minhas pernas não sou eu, mas o doutor Ulisses Guimarães”, disse, referindo-se a um dos líderes históricos do partido e principal adversário da ditadura militar.
Arthur Neto também revelou que vai apoiar a candidatura do senador Omar Aziz (PSD) ao governo do Estado, lembrando que é amigo do senador, hoje “um político mais amadurecido”. Essa amizade que, segundo revelou Arthur, começou com a mãe do senador, dona Delphina Aziz.
Sobre a candidatura a deputado federal, Virgílio Neto disse que a bandeira principal e compromisso dele primordial será com a Zona Franca de Manaus. “Não fizeram (nada contra a ZFM) quando eu era senador, não vão fazer agora e nem quando morrer, pois vou voltar para puxar a perna de vocês”.
Tamanho da bancada influi no poder político
Em um sistema presidencialista como o do Brasil, ter uma bancada forte na Câmara dos Deputados é fator determinante para a influência de um partido no cenário nacional. O número de parlamentares define o peso nas votações de projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e medidas provisórias enviadas pelo Palácio do Planalto.
Quanto maior a bancada, maior a capacidade de ocupar espaços estratégicos, como presidências de comissões permanentes e relatorias de matérias relevantes. Esses postos são decisivos para acelerar, modificar ou barrar propostas.
A força numérica também impacta diretamente no acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral, critérios distribuídos conforme a representação na Câmara. Além disso, partidos com bancadas robustas ampliam seu poder de negociação em alianças e na formação de maiorias.
No Congresso Nacional, números se traduzem em influência política. Ter presença expressiva na Câmara não é apenas questão de representatividade, mas de capacidade real de moldar decisões que afetam o país.





