Câmara dos Deputados terá 437 deputados na disputa pela reeleição

A corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados terá um número menor de candidatos nas eleições de 2026, mas continua marcada por uma disputa acirrada. Ao todo, 7.620 pessoas registraram candidatura para concorrer a uma das 513 cadeiras da Casa.
Em 2022, foram 9.477 candidatos, o que representa uma redução de 1.857 registros em quatro anos. Os números ainda podem mudar, já que os pedidos de candidatura serão analisados pela Justiça Eleitoral. Na eleição anterior, 1.153 candidatos acabaram considerados inaptos.
Entre os atuais parlamentares, 437 dos 513 deputados federais decidiram tentar a reeleição. O número é inferior ao registrado em 2022, quando 448 deputados disputaram novamente uma cadeira na Câmara.
Senado atrai mais deputados
Uma das principais razões para a redução no número de deputados que buscam a reeleição está no aumento da quantidade de parlamentares que decidiram disputar outros cargos.
O número de deputados federais candidatos ao Senado dobrou em relação à eleição anterior. Foram 21 em 2022 e, agora, são 42 parlamentares na corrida por uma das vagas da Casa Alta.
Também aumentou a quantidade de deputados que decidiram disputar as assembleias legislativas. O número passou de seis para 11.
Além disso, cinco deputados federais concorrem ao cargo de governador, um disputa a Vice-Presidência da República, um tenta uma vaga de vice-governador e três concorrem ao cargo de primeiro suplente de senador. Outros 13 deputados em exercício não disputarão nenhum cargo eletivo em 2026.
Disputa pode chegar a 21 candidatos por vaga
Apesar da redução no número total de candidaturas, a concorrência continua elevada. A média nacional está próxima de 15 candidatos para cada cadeira da Câmara.
O Distrito Federal apresenta a maior disputa proporcional. São 164 candidatos para oito vagas, uma média de 21 concorrentes por cadeira.
Já o Amapá registra a menor concorrência, com 89 candidatos para as oito vagas disponíveis, o equivalente a aproximadamente 11 candidatos por cadeira.
Perfil dos candidatos também mudou
A composição da disputa apresenta mudanças em relação a 2022.
As mulheres somam 2.781 candidaturas a deputada federal, representando 37% do total. Na eleição anterior, elas correspondiam a 35% dos candidatos.
Também aumentou a presença de candidatos com ensino superior completo, que passaram de 68% para 71%.
O número de candidatos indígenas subiu de 50, em 2022, para 75 neste ano. Já as candidaturas de pessoas transgênero passaram de 19 para 24. A participação feminina também está acima da cota mínima de 30% prevista para as candidaturas proporcionais.
Menos partidos, menos candidaturas
A redução no número de candidatos também está relacionada à mudança no cenário partidário brasileiro.
O fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais, a cláusula de desempenho e a limitação do número de candidaturas por legenda contribuíram para diminuir o volume de nomes na disputa.
Desde 2021, cada partido pode registrar até 100% do número de vagas disponíveis no estado mais uma candidatura. Em São Paulo, por exemplo, cada legenda pode lançar até 71 candidatos. No Distrito Federal e em estados com menor número de cadeiras, o limite é de nove.
Atualmente, o Brasil tem 30 partidos, mas apenas 22 possuem representação na Câmara. Em 2018, eram 36 legendas e 30 conseguiram eleger deputados federais.
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Cláusula de desempenho aumenta pressão sobre partidos
Outro fator que influencia o cenário eleitoral é a cláusula de desempenho. A regra estabelece requisitos mínimos de votação ou de deputados eleitos para que os partidos tenham acesso a recursos e funcionamento parlamentar.
Nas eleições de 2026, as legendas precisarão obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1,5% dos votos em cada um deles, ou eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos em nove estados.
Até o momento, apenas quatro partidos possuem candidatos registrados em todas as unidades da Federação: PL, com 534 candidatos; Novo, com 505; PT, com 354; e União, com 283.
Mulheres ampliam espaço na disputa
O crescimento da participação feminina é um dos principais destaques do perfil dos candidatos.
Em 2002, as mulheres representavam apenas 11% dos candidatos a deputado federal. Em 2026, o percentual chega a 37%.
Além da reserva mínima de 30% das candidaturas por gênero, os partidos também precisam observar regras relacionadas à distribuição de recursos de campanha e ao tempo destinado à propaganda eleitoral gratuita.
Entre as legendas, o PCdoB apresenta a maior proporção de candidaturas femininas, com 51%. Na sequência aparecem PCO, com 49%, e Cidadania e UP, com 48% cada.
Na outra ponta, Agir tem 33% de candidaturas femininas. Avante, DC, Mobiliza, PL, PSDB e Solidariedade aparecem com 34%.
Com 7.620 candidatos registrados e 437 deputados tentando permanecer no cargo, a eleição de 2026 terá uma disputa pela Câmara marcada, ao mesmo tempo, pela redução no número de concorrentes e pela movimentação de parlamentares em direção a outros cargos.





