Direita amazonense reage à homenagem a Lula na Sapucaí e critica desfile como “palanque eleitoral”

(Foto: Ricardo Sturket/Divulgação)
A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, durante desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na noite deste domingo (15/2), provocou forte reação de parlamentares da direita amazonense. Deputados federais, estaduais e vereadores de Manaus classificaram a apresentação como “propaganda eleitoral” e acusaram o evento de uso político do Carnaval.
Entre os críticos está o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), que utilizou as redes sociais para afirmar que o desfile extrapolou o campo cultural e assumiu caráter político-eleitoral. Para o parlamentar e outros representantes do campo conservador no estado, a exaltação do presidente na avenida, combinada com referências a adversários e a decisões judiciais recentes, transformou o espetáculo em manifestação partidária transmitida em rede nacional.
A crítica se concentrou, principalmente, na alegoria que levou à avenida um boneco representando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão em 2025 por tentativa de golpe de Estado, acusado de liderar articulações contra o regime democrático de direito, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A representação fez parte do enredo que também incluiu referências ao combate a atos antidemocráticos.
O vereador de Manaus, Capitão Carpê (PL), afirmou que o desfile “ridiculariza a família e os valores conservadores”, sugerindo que a apresentação teria atacado princípios defendidos por setores da direita. Já a deputada estadual Débora Menezes (PL) questionou o uso de recursos públicos e acusou tratamento desigual da Justiça Eleitoral: “Curioso como a lei parece funcionar só para um lado”, escreveu.
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As manifestações seguem a linha de oposição que o grupo bolsonarista no Amazonas mantém em relação ao governo federal. Os parlamentares são críticos frequentes da gestão Lula e têm adotado discurso alinhado ao campo conservador nacional, especialmente em temas como Judiciário, cultura e financiamento público de eventos.
Nos bastidores, interlocutores da direita local admitem que o desfile foi acompanhado com atenção redobrada, com análise de falas, alegorias e símbolos em busca de elementos que pudessem embasar uma eventual denúncia por crime eleitoral, como já foi feito antes do desfile por um deputado federal, rejeitada pelo TSE. Até o momento, no entanto, não há registro de decisão da Justiça Eleitoral que enquadre a homenagem como irregularidade. O episódio evidencia como a polarização política brasileira ultrapassa o ambiente institucional e alcança também manifestações culturais de grande alcance popular, como o Carnaval.





