Alessandra Campêlo denuncia suposto favorecimento a presos na carceragem da PC-AM

A deputada estadual Alessandra Campêlo (PSD) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta terça-feira (12) para denunciar supostas irregularidades na carceragem da Polícia Civil, localizada na Delegacia Geral, em Manaus. Segundo a parlamentar, presos teriam acesso a celulares e poderiam ameaçar vítimas de dentro da unidade, o que configuraria um ambiente de impunidade e favorecimento.
Campêlo aproveitou a repercussão da desativação do núcleo prisional da Polícia Militar, no bairro Monte das Oliveiras, para cobrar a mesma medida em relação à carceragem da Polícia Civil. “Hoje foi notícia nacional que foi desativado o presídio dos policiais militares. Infelizmente, em relação aos policiais civis, especialmente os abusadores de mulheres e de crianças, não tem sido diferente”, afirmou.
A deputada citou especificamente o caso do policial civil e mestre de jiu-jitsu Melqui Galvão, preso por suspeita de abuso sexual contra alunas menores de idade. Segundo Campêlo, ela recebeu um vídeo no qual Melqui aparece ameaçando e coagindo vítimas a mudarem seus depoimentos.
“Ele está na prisão e está ameaçando as vítimas. Como ele poderia ter um celular? É porque tem vagabundo que protege vagabundo”, declarou.

Irmão de Melqui Galvão facilitava
De acordo com a parlamentar, a ação do preso teria sido facilitada pelo próprio irmão dele, também policial civil, identificado como Enoque Galvão, que teria sido afastado do cargo e encaminhado à Corregedoria.
“Sabe quem abriu a carceragem para esse homem ameaçar as vítimas? O próprio irmão dele, que também é policial”, denunciou Campêlo, que disse ter recebido o vídeo na noite anterior e já ter entrado em contato com o delegado-geral da Polícia Civil.
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A deputada também exibiu trechos do vídeo no plenário, nos quais Melqui Galvão supostamente aparece dizendo que em 30 dias sairia da prisão e tentava convencer uma das vítimas a mudar o depoimento em troca de ajuda.
“É a certeza da impunidade. Só que acabou, não vai ter mais impunidade”, afirmou Campêlo, que pediu a desativação imediata da carceragem da Polícia Civil e a transferência dos presos para o sistema prisional comum, assim como ocorreu com os policiais militares.
“Quem comete crime tem que ir para o presídio, como acontece em outros estados. Não pode ficar dentro do mesmo local onde ele trabalha, onde tem vários colegas e onde convive”, argumentou. A deputada ainda solicitou à procuradora-geral de Justiça e à ouvidora do MPAM uma intervenção no espaço prisional.
Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Civil do Amazonas não se manifestou sobre as denúncias. O governo do estado também não comentou o pedido de desativação da unidade.





