Vagas e votos: confira um raio-x das nominatas a deputado federal no Amazonas

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Faltando cerca de três meses e meio para o prazo final das convenções partidárias, partidos e federações intensificam as articulações para fechar as chapas de candidatos a deputado federal. Essas listas, chamadas de nominatas, são decisivas para garantir acesso aos fundos Partidário e Eleitoral, além do tempo de propaganda em rádio e TV.
Para eleger o primeiro deputado federal, os partidos precisam atingir o quociente eleitoral, estimado em cerca de 250 mil votos. O cálculo leva em conta os votos válidos divididos pelas oito vagas do Amazonas na Câmara. Em 2022, por exemplo, o quociente ficou em aproximadamente 247 mil votos.
O MDB, do senador Eduardo Braga; o Avante, liderado pelo ex-prefeito David Almeida; e a Federação União Progressista (União Brasil + PP), do ex-governador Wilson Lima; são os grupos mais avançados na montagem das chapas, enquanto federações de esquerda e centro ainda enfrentam dificuldades.
No MDB, já estão confirmados nomes como Saullo Vianna, Adail Filho, Arthur Neto, Vanda Witoto, Jesus Alves e Caila Carim. O partido ainda busca completar a nominata mínima de nove candidatos, incluindo a cota feminina. A expectativa é atingir entre 300 mil e 350 mil votos, garantindo uma vaga e disputando outra nas sobras.
O cálculo leva em conta que Saullo e Adail vão superar ou chegar próximo dos 100 mil votos, como em 2022, e Arthur Neto, Jesus Alves e Vanda Witoto também chegarão perto deste patamar.
No Avante, sete nomes já foram definidos, com destaque para Fernanda Aryel, filha de David Almeida, além de Shadia Fraxe, Maria Eunice, Dalmir Salazar, Cris Paiva, Joelson Silva, Radyr Júnior e Coronel Menezes. A projeção é semelhante à do MDB, com cerca de 300 mil votos e possibilidade de duas vagas.
Já a Federação União Progressista tem sete dos nove nomes definidos: o deputado federal Fausto Júnior deve ser o puxador de votos da nominata, que terá ainda Joana Darc, Terezinha Ruiz, Patrícia Lopes, Thaysa Lippy, e o empresário Hugo Bacelar, filho do ex-deputado Eliude Bacelar, cujas bases políticas no bairro da Compensa agora são operadas por Hugo.
A estrela dessa nominata, contudo, é o ex-vice governador Tadeu de Souza, que trabalhou nos últimos meses para tentar ser o candidato a governador, mas numa manobra inédita na política do Estado renunciou junto com Wilson Lima e agora o destino dele é uma disputa por vaga na Câmara Federal (se não houver novas surpresas).
Os cálculos dos estrategistas de Wilson Lima apontam que esse grupo pode alcançar até 350 mil votos, com Fausto, Joana e Tadeu superando a casa dos 100 mil votos. A exemplo de MDB e Avante, a federação também faz um deputado federal e briga nas sobras para fazer o segundo.
O PSD, do senador Omar Aziz, hoje favorito, segundo pesquisas, na eleição para o governo do Estado, tem sete nomes definidos, mas falta completar a cota de gênero. É na sigla de Omar que haverá a maior briga de foice entre aliados, posto que a nominata traz os nomes dos deputados Átila Lins, o decano do Congresso Nacional, e Sidney Leite, que também tem fortes bases no interior, e o ex-deputado Pauderney Avelinho, um dos políticos mais populares em Brasília. Completam este time a delegada Débora Mafra, o delegado Lázaro Ramos, o ex-vereador Amauri Protetor e Jorge Oliveira.
A expectativa é também superar os 300 mil votos, com Átila e Sidney superando os 100 mil votos como em 2022, e o restante do time ajudando a chegar no patamar que garante um deputado e ainda entrar na briga pelas sobras para fazer o segundo.
O Republicanos tem aparentemente a situação mais apertada, com apenas dois candidatos competitivos: os deputados federais Silas Câmara e Amom Mandel. Silas consistentemente tem sido eleito com votações expressivas, tendo superado os 100 mil votos nas três últimas eleições.
Já Amom foi o campeão de votos em 2022, com 288.555, 14,49% dos votos válidos, a maior votação proporcional do País. Nenhum analisa aposta que ele vá repetir essa performance neste ano. Ele próprio reconheceu, em entrevista ao Onda News, da TV Onda Digital, que repetir essa votação é impossível.
Estão confirmados ainda nesta nominata o deputado federal João Carlos, que substituirá Silas Câmara até meados do ano, o ex-vereador Massami Miki e Viviana Lima. Assim, falta definir e fechar a cota de gênero e os demais nomes, que precisam cumprir a expectativa de chegar aos 270 mil votos estabelecida pelo partido.
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O campeão de votos estará no PL
O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem uma das situações mais curiosas no momento, pois conta com o favorito a ser campeão dos votos, o vereador Sargento Salazar, tem a expectativa de alcançar a maior votação entre os partidos (eles trabalham com a hipótese de até 380 mil votos), mas pode ficar apenas com a vaga conquistada pelo ex-policial militar por conta de uma regra eleitoral que em 2022 barrou, por exemplo, Israel Paulain (14 mil votos) de virar deputado na cola da votação de Amom Mandel.
Isso acontece porque para fazer a segunda vaga, o candidato (e não o partido) precisa alcançar 20% do quociente eleitoral, que estima-se será de 250 mil votos, e, portanto, para ter direito a segunda vaga em Brasília o segundo mais votado do PL terá de buscar mais de 50 mil votos.
Cotado para ser este candidato, o ex-senador Alfredo Nascimento não alcançou a média em 2022, quando teve pouco mais de 44 mil votos. Se manter esta performance, Salazar não irá ajudar, a exemplo de Amom em outubro.
Além de Salazar, que ainda reluta em ser candidato para este posto, e Alfredo a chapa do PL também terá o vereador Coronel Rosses e Arnoud Lucas, precisando ainda fechar com candidatas para cumprir a cota de gênero.
Na Federação Brasil Esperança, que une PT, PCdoB e PV, estão confirmados neste momento os nomes do vereador José Ricardo, que foi o recordista de votos em 2018 (197.270) e o presidente do PCdoB, Yan Yanovick. Não há outros nomes definidos.
A mesma situação encontram-se as Federações PSDB-Cidadania e PSOL-Rede, ambas confirmam que terão chapa completa, mas ainda não trabalham com nomes.





