Em torno de Lula, rivais dividem espaço e acenos políticos no Amazonas

A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por Manaus, nesta quarta-feira (27/5), teve todos os ingredientes de uma agenda institucional, mas funcionou mesmo como uma vitrine antecipada da disputa eleitoral de 2026 no Amazonas. No estaleiro Bertolini, o governador Roberto Cidade (UB) aproveitou a presença de Lula para reforçar um discurso de alinhamento político-administrativo que, há alguns anos, pareceria improvável para setores da direita amazonense.
Em tom cordial, Cidade agradeceu a visita do presidente, exaltou investimentos federais, celebrou a geração de empregos no setor naval e tratou a ida de Lula às obras da BR-319 quase como um gesto histórico de atenção ao estado, uma pauta que atravessa governos, promessas e palanques sem nunca sair totalmente do terreno simbólico.
A movimentação de Cidade não passou despercebida porque acontece justamente em um momento em que o tabuleiro político começa a ganhar forma. O governador do Amazonas, recém eleito para um mandato de 7 meses, surgiu no evento cercado por nomes que estarão no centro da disputa deste ano, como os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD). Os três dividiram espaço, conversas e sorrisos em uma cena que deixou claro que, no Amazonas, diferenças políticas podem ser temporariamente suspensas quando o assunto envolve proximidade com o Palácio do Planalto.
Wilson Lima (UB), ex-governador e principal aliado político de Cidade, não esteve presente, embora também articule uma candidatura ao Senado e acompanhe atentamente cada gesto feito pelo grupo.
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Nos bastidores, a leitura foi direta: Roberto Cidade começa a ensaiar um movimento de descolamento gradual do discurso puramente oposicionista ao governo federal para ocupar uma posição mais pragmática e menos ideológica.
Ao citar Lula de forma elogiosa e reforçar a necessidade de “parcerias” para o desenvolvimento do Amazonas, o ex-presidente da Aleam, que assumiu o Executivo estadual após a renúncia de Wilson Lima, mostrou que pretende dialogar com diferentes campos políticos sem constrangimento. Afinal, em ano pré-eleitoral, convicções rígidas costumam perder espaço para fotos estratégicas, apertos de mão calculados e alianças que, até ontem, pareciam improváveis.






