Como lidar com términos de relacionamento no Dia dos Namorados

Com a chegada de junho, vitrines são decoradas com corações, floriculturas reforçam promoções de buquês de rosas e restaurantes passam a receber reservas para celebrações românticas. Em contraste com esse clima de afeto, muitas pessoas enfrentam a dor provocada pelo fim de um relacionamento.
O Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho, é marcado por demonstrações de carinho e romantismo entre casais. Para quem está solteiro há pouco tempo ou ainda tenta superar uma separação, a data pode despertar sentimentos difíceis e lembranças do passado.
Segundo a psicóloga Andréa Sena, datas comemorativas costumam intensificar emoções por estarem associadas a expectativas, memórias e comparações. Quando o término acontece próximo a uma ocasião simbólica como o Dia dos Namorados, a ausência da pessoa amada tende a se tornar ainda mais perceptível.

“É comum que a pessoa entre em contato com sentimentos de tristeza, saudade, frustração e até insegurança sobre o futuro. É um momento em que a ausência fica mais evidente, e acolher esses sentimentos faz parte do processo de elaboração da perda”, explica.
Acolhimento
Diante da tristeza, muitas pessoas tentam ignorar ou reprimir suas emoções. No entanto, segundo a especialista, o caminho mais saudável é reconhecer o sofrimento sem julgamentos.
“O primeiro passo é não lutar contra o que está sentindo. Reconheça sua dor sem julgamentos”, orienta.
Ela recomenda buscar a companhia de amigos e familiares, realizar atividades prazerosas e evitar o isolamento completo.
“Também pode ser um momento para lembrar que o amor não se restringe ao relacionamento amoroso; ele está presente nas amizades, na família e na relação que construímos conosco”, afirma.
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O peso das comparações
Outro sentimento comum nesta data é a sensação de estar “atrasado na vida” por estar solteiro ou recém-separado. Para Andréa Sena, essa percepção está frequentemente ligada às expectativas sociais sobre relacionamentos.
“Cada pessoa tem sua própria trajetória. Na Psicologia, entendemos que o desenvolvimento humano não segue uma única linha. Estar solteiro não significa fracasso; significa apenas que a vida está acontecendo de uma forma diferente da esperada naquele momento”, ressalta.
Procurar o ex é uma boa ideia?
Em momentos de saudade, é comum surgir a vontade de retomar o contato com o ex-parceiro. No entanto, essa decisão exige reflexão.
“Quando a pessoa busca contato repetidamente, pode acabar alimentando expectativas e dificultando a aceitação da nova realidade”, alerta.
Antes de procurar o ex, ela sugere que a pessoa reflita sobre sua verdadeira motivação. O objetivo é buscar um encerramento saudável, aliviar a saudade ou tentar reverter a situação? “Nem sempre a proximidade favorece a cicatrização emocional; às vezes, respeitar um tempo de distância é um ato de cuidado consigo mesmo”, destacou.
Quando procurar ajuda profissional
Embora a tristeza seja uma reação natural ao fim de um relacionamento, alguns sinais indicam que o sofrimento pode estar se tornando mais sério.
Segundo Andréa Sena, é importante buscar apoio psicológico quando a tristeza permanece intensa por um longo período e começa a comprometer áreas importantes da vida, como trabalho, sono, alimentação e relacionamentos.
“Merecem atenção sentimentos persistentes de desesperança, isolamento excessivo, perda de interesse pelas atividades habituais ou dificuldades significativas para seguir com a vida após o término”, orienta.
Transformando a data em autocuidado
Para quem vai enfrentar o Dia dos Namorados após um término, a especialista sugere enxergar a data como uma oportunidade de voltar o olhar para si mesmo.
“Em vez de focar apenas naquilo que foi perdido, a pessoa pode usar a data para se reconectar consigo mesma. Isso pode incluir momentos de descanso, atividades prazerosas, contato com pessoas queridas, reflexão sobre aprendizados e reconhecimento da própria trajetória”, destaca.
Ela lembra que o autocuidado não apaga a dor do término, mas pode tornar o processo mais leve e respeitoso com a própria história.





