Entre o discurso e a técnica: o que os pré-candidatos ao Senado revelam sobre a ZFM

A disputa ao Senado no Amazonas recoloca no centro do debate a principal base econômica do estado: a Zona Franca de Manaus (ZFM). No entanto, a análise das manifestações públicas dos pré-candidatos mostra que o nível de aprofundamento sobre o tema varia significativamente. Enquanto alguns concentram falas na arquitetura da Reforma Tributária e nos mecanismos que sustentam jurídica e economicamente a competitividade do modelo, outros permanecem em uma defesa mais ampla da ZFM, centrada em empregos, preservação ambiental e desenvolvimento regional.
O senador Eduardo Braga (MDB) e o ex-deputado Marcelo Ramos (PT) aparecem mais vinculados ao debate técnico-tributário, abordando temas como IPI, IBS, CBS, crédito presumido, diferencial competitivo e os mecanismos criados para preservar a ZFM dentro da Reforma Tributária. Nesse grupo, o debate costuma avançar para a estrutura jurídica do modelo e para os efeitos práticos da transição tributária sobre o Polo Industrial de Manaus.
Já o ex-governador Wilson Lima (União), o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), o senador Plínio Valério (PSDB) e o ex-vice-prefeito Marcos Rotta (Avante) aparecem com maior frequência em linhas discursivas ligadas aos impactos econômicos, ambientais e sociais da ZFM. No caso de Rotta, a fala recente sobre a necessidade de novas matrizes econômicas, como piscicultura, farmacologia, turismo e pesca esportiva, amplia o debate para a diversificação produtiva do estado. Ainda assim, há menor volume público de manifestações aprofundando mecanismos tributários específicos da reforma.
O contraste ajuda a evidenciar uma diferença importante para o eleitorado: defender a Zona Franca e explicar como ela funciona não são necessariamente a mesma coisa. Em um cenário de Reforma Tributária, disputas judiciais e debates sobre competitividade, a discussão tende a exigir mais do que a defesa genérica do modelo.





