Candidatos partem para o ataque antes de eleitor prestar atenção na eleição

A um dia do início do horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, a campanha ao Governo do Amazonas entrou na fase de trocação, com os principais candidatos disparando ataques diretos e indiretos contra os adversários.
O senador Omar Aziz, da Coligação Força Amazonas (PSD, MDB, Republicanos e Federação Brasil da Esperança), abriu a temporada de ataques contra o governador Roberto Cidade, da Federação União Progressista. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Omar questionou a compra de colchões, travesseiros e redes em estabelecimentos sem tradição nesse tipo de negócio e levantou suspeitas sobre o destino dos recursos, sugerindo que empresários beneficiados poderiam ter relação com a campanha de Cidade.
O governador reagiu e, na manhã seguinte, cancelou a ata de tomada de preços e o negócio. Ao justificar a decisão, afirmou que sua gestão jamais seguiria os “maus caminhos”, em alusão à Operação Maus Caminhos, da Polícia Federal, que investigou e prendeu familiares do senador.
Omar vinha, havia mais de um ano, chamando os adversários para debater seus próprios pontos fracos, como a Operação Maus Caminhos e a obra inacabada da Cidade Universitária. Ainda assim, a referência de Cidade à operação provocou forte reação do senador, sobretudo depois que um empresário da comunicação ligado a ele publicou um texto afirmando que a operação ainda “assombrava” Omar.
Irritado com a repercussão, Omar publicou uma mensagem em um grupo de aplicativo dirigida ao empresário. Disse que o que realmente o assombrava eram os negócios dele com o governo, que, segundo o senador, somavam R$ 1 milhão, e afirmou que, em um eventual governo Omar, esses contratos seriam cortados. A mensagem teve repercussão negativa nas redes, apesar da relação de proximidade entre os dois, que dura há mais de duas décadas.
Roberto Cidade também não mirou apenas quem está à sua frente nas pesquisas. Nas redes sociais, atacou a empresária Professora Maria do Carmo, da coligação Mudar é Urgente (PL e Novo), acusando-a de impedir, por meio de ações na Justiça, que o Governo do Estado preste assistência a pacientes neurodivergentes e suas famílias atípicas.
Maria do Carmo revidou e reuniu um grupo de mães atípicas para contestar o discurso de Cidade em defesa dessas famílias. Também divulgou um manifesto convocando o governador para os debates, já que ele não participou do único encontro entre os candidatos, promovido pela TV Band Amazonas no último domingo (23). No documento, classificou como covardia o uso da causa dos autistas para ganhar votos.
David Almeida usa pesquisas como treino
O ex-prefeito de Manaus David Almeida, da coligação Pra Cima Amazonas (Avante, PDT, Democracia Cristã, Agir e Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade), ficou de fora desse ringue, mas usou os institutos de pesquisa como “sparring” para treinar os golpes que pretende desferir contra os adversários quando o horário eleitoral começar.
Insatisfeito com os índices de intenção de voto atribuídos a ele, David publicou um duro vídeo questionando a credibilidade e os resultados das pesquisas divulgadas nesta semana. O ex-prefeito contrastou os números com o que seu grupo afirma perceber nas agendas de rua, onde, segundo ele, é recebido com muito carinho e atenção.
Fora da disputa entre os candidatos mais competitivos, o candidato do Mobiliza, Cabo Daciolo, atira para todos os lados. Ataca Omar Aziz e seu aliado, o senador Eduardo Braga (MDB), por causa da construção da ponte sobre o Rio Negro e da Cidade Universitária, obras que classifica como inúteis e superfaturadas.
Daciolo também ataca David Almeida. Segundo ele, o ex-prefeito estaria usando a campanha para eleger a filha, Fernanda, deputada federal, e o irmão, Daniel, deputado estadual. Para completar a provocação, classifica Maria do Carmo e o presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, como “dois petistas”.
Se vivo fosse, o maior colunista social da história da imprensa amazonense, Gilberto Barbosa, o Gil, diria “Ploft!”, interjeição que usava para marcar algo absurdo dito no ar.
Eleitor ainda está longe dos debates
A troca de farpas, contudo, ainda tem pouca penetração no eleitorado, que permanece distante do debate eleitoral.
Tradicionalmente, a atenção do eleitor começa a ser despertada quando o horário eleitoral entra no ar, principalmente nos municípios mais distantes, onde os candidatos dificilmente chegam. Para piorar, o horário começa nesta sexta-feira (28), terá programa no sábado e folga no domingo.
A próxima semana também será de véspera de feriado, com o megafestival Sou Manaus tomando conta da capital e uma série de festas populares agitando os principais municípios do interior. “Dificilmente o eleitor vai estar com cabeça para eleição numa semana como essa”, afirma um analista político ouvido pela Onda Digital.
Até aqui, portanto, os candidatos já começaram a trocar golpes, mas a maior parte do eleitorado ainda nem entrou no ringue. O desafio será transformar a guerra das redes sociais em atenção real quando rádio e televisão passarem a ocupar espaço na rotina dos eleitores.





