Greenpeace critica defesa de Lula à exploração de petróleo na Foz do Amazonas

A nova descoberta de petróleo na região da Foz do Amazonas provocou críticas de organizações ambientalistas e reacendeu o debate sobre os limites da exploração de combustíveis fósseis em uma área considerada estratégica para a política energética brasileira. Em entrevista ao UOL nesta terça-feira (18), Mariana Andrade, coordenadora da Frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, afirmou que a decisão de avançar sobre essa fronteira exploratória coloca o país em uma posição contraditória diante de seus compromissos climáticos.
A declaração ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificar a descoberta de petróleo na região como um possível “passaporte para o futuro do Brasil”. Durante visita ao navio-sonda da Petrobras, no Amapá, Lula defendeu a exploração da área e afirmou que o país pode buscar novas reservas sem abandonar o compromisso com a proteção ambiental e a transição energética.
Para Mariana Andrade, entretanto, a identificação de hidrocarbonetos não significa que a exploração comercial esteja garantida. Segundo ela, ainda são necessários estudos para determinar a viabilidade técnica e econômica da descoberta. “O futuro do Brasil não quero que ele seja um futuro perfurado, todo esburacado”, afirmou a representante do Greenpeace.
Na avaliação da organização, avançar com perfurações em uma região ambientalmente sensível representa uma escolha que entra em conflito com a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas à queima de combustíveis fósseis.
Greenpeace questiona exploração de petróleo
Mariana também contestou a justificativa de que novas receitas provenientes do petróleo poderiam ajudar o Brasil a financiar a transição para fontes de energia mais limpas. Para ela, o argumento não seria coerente com a necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. A coordenadora afirmou que aumentar a extração e o consumo de petróleo para financiar uma transição energética significaria manter justamente a atividade que deveria ser reduzida.
O Greenpeace também aponta preocupação com os possíveis impactos sobre a biodiversidade e sobre comunidades que dependem de um ambiente saudável na região. Na entrevista, Mariana classificou a expansão da exploração petrolífera em novas fronteiras como uma “escolha política” diante da crise climática.
O que foi encontrado na Foz do Amazonas?
A Petrobras identificou a presença de petróleo no poço exploratório Morpho, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas. A estatal, porém, ainda avalia o tamanho e as características da descoberta. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que ainda não é possível determinar quanto petróleo existe na área.
A descoberta está na Bacia da Foz do Amazonas, parte da chamada Margem Equatorial brasileira, considerada uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás. A região também inclui áreas dos litorais do Pará, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte.
No entanto, a identificação de petróleo não significa, por si só, que a produção comercial começará imediatamente. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), uma descoberta passa por uma etapa de avaliação para determinar a extensão do reservatório, estimar o volume de hidrocarbonetos e verificar a viabilidade técnico-econômica da produção.
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Governo defende exploração e segurança energética
Lula sustenta que o Brasil precisa aproveitar suas reservas de petróleo enquanto houver demanda mundial pelo combustível. Na visita ao Amapá, o presidente destacou o potencial econômico da descoberta e defendeu que a exploração seja realizada com tecnologia e cuidados ambientais.
O governo também argumenta que novas reservas são importantes para evitar uma futura redução da produção brasileira. Segundo o Ministério de Minas e Energia, sem novas descobertas, o país poderá enfrentar queda da produção a partir da próxima década, com possíveis impactos sobre a segurança energética e as receitas públicas.
A Petrobras, por sua vez, prevê investimentos de R$ 3,3 bilhões na perfuração de quatro poços na região da Foz do Amazonas, mas a continuidade das atividades depende das autorizações ambientais necessárias e da confirmação do potencial das reservas.





