Entenda a operação da PF autorizada por Moraes que mira blogueiro por suposta perseguição à Flávio Dino

(Foto: reprodução)
A Polícia Federal realizou, na terça-feira (10/3), uma operação de busca e apreensão na residência do blogueiro Luís Pablo Conceição Almeida, em São Luís. A ação faz parte de uma investigação que apura a possível prática do crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Durante o cumprimento do mandado, os agentes apreenderam celulares e um computador que seriam utilizados pelo blogueiro. Segundo a investigação, publicações feitas em 2025 pelo blog teriam divulgado informações consideradas sensíveis sobre o veículo utilizado na segurança do ministro e detalhes da equipe responsável pela proteção dele.
De acordo com a Polícia Federal, os conteúdos exibiam imagens do automóvel, placas e outros dados ligados ao deslocamento de Flávio Dino em São Luís. Para os investigadores, esse material pode indicar monitoramento do veículo e possível acesso a informações restritas, o que poderia colocar em risco a segurança da autoridade.
Na decisão que autorizou a operação, o STF afirmou que o autor das publicações teria utilizado mecanismos ou informações de origem estatal para identificar os veículos usados pela segurança do ministro, o que teria exposto de forma indevida a rotina de proteção da autoridade. A investigação também aponta indícios de participação de outras pessoas na divulgação das informações.
Com base nesses elementos, Alexandre de Moraes autorizou a busca e apreensão pessoal e domiciliar do investigado, além da coleta e preservação das publicações divulgadas no site do blog e nas redes sociais, incluindo o Instagram.
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Em nota, a equipe do ministro Flávio Dino informou que a investigação começou após a segurança institucional identificar, em 2025, indícios de monitoramento ilegal de seus deslocamentos na capital maranhense. Segundo o comunicado, foram divulgados dados como placas de veículos, nomes de agentes e quantidade de profissionais envolvidos na segurança. O material foi encaminhado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para investigação.
O gabinete do ministro afirmou ainda que a apuração não tem relação com crimes contra a honra, liberdade de expressão ou com o chamado inquérito das fake news, mas se concentra exclusivamente na possível violação dos procedimentos de segurança da autoridade.
A decisão gerou reação de entidades ligadas à imprensa. Organizações como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) divulgaram notas classificando a medida como preocupante.
As entidades destacaram que a atividade jornalística é protegida pela Constituição e que eventuais crimes cometidos por profissionais da área devem ser investigados com respeito às garantias legais, incluindo o direito de defesa e o sigilo da fonte.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão também se manifestou sobre o caso. A comissão de defesa da liberdade de expressão da entidade ressaltou, em nota, a importância de preservar direitos constitucionais como a liberdade de imprensa e a proteção das fontes jornalísticas.
Em posicionamento divulgado nas redes sociais, Luís Pablo informou que aguarda acesso completo aos autos do processo, que tramita sob sigilo no STF. O blogueiro afirmou ainda que mantém o compromisso com o exercício do jornalismo e com a apuração de fatos de interesse público, respeitando os princípios constitucionais da liberdade de imprensa e do direito à informação.
(*)Com informações do G1





