Epstein Files: como aliciadores buscaram garotas no Brasil por mais de uma década

(Foto: Montagem/Rede Onda Digital)
Uma análise de milhares de documentos relacionados ao caso do financista norte-americano Jeffrey Epstein revelou indícios de que o esquema internacional de exploração sexual de jovens também teve conexões com o Brasil. A investigação identificou pelo menos três recrutadores que teriam atuado no país entre 2006 e 2019.

Segundo os registros analisados, o principal deles seria o empresário francês Jean-Luc Brunel, ligado ao mercado de agências de modelos. Brunel teria se aproximado de Epstein nos anos 1990 e, já na década seguinte, passou a receber recursos para montar uma agência de fachada em Miami, nos Estados Unidos.
A empresa seria responsável por recrutar jovens em diversos países, entre eles Polônia, Letônia, Lituânia, Filipinas e Brasil, com a promessa de oportunidades na indústria da moda. De acordo com os documentos, Brunel esteve diversas vezes em território brasileiro entre 2006 e 2019, visitando cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza, Natal, Recife e Salvador.

O método descrito nos registros seguia um padrão: jovens eram convidadas para trabalhar como modelos nos Estados Unidos. Já no país, ficavam hospedadas em apartamentos ligados a Epstein, especialmente em Nova York. Algumas das vítimas relataram posteriormente terem sido abusadas.
Outro nome citado nos documentos é o do músico britânico Ramsey L. Cooley, apontado como associado de Epstein. Apesar de haver menos informações públicas sobre sua atuação, registros indicam que ele esteve no Brasil ao menos duas vezes, em 2010 e 2016.
Durante essas visitas, Cooley teria negociado a indicação de mulheres para Epstein. Em uma das viagens, ele também tentou adquirir agências de modelos, revistas e chegou a discutir a criação de um concurso de beleza, segundo os documentos analisados.
Os arquivos também mencionam uma terceira forma de recrutamento que lembra o método inicial utilizado por Epstein na Flórida, nos anos 1990. Nesse modelo, uma jovem inicialmente convidada a participar do esquema passava a indicar outras garotas, criando uma cadeia de recrutamento semelhante a uma pirâmide de exploração.
Entre os registros, há referências a uma brasileira que mantinha contato com Epstein desde sua primeira prisão, nos Estados Unidos. Em mensagens encontradas nos arquivos, ela relata ter buscado jovens principalmente na região Nordeste. Em um dos e-mails, ela menciona ter conhecido uma garota em Natal e solicita que Epstein pague passagem e visto para levá-la aos Estados Unidos, pedido que teria sido aceito.

Com base em depoimentos de sobreviventes e nas informações contidas nos documentos, estimativas apontam que pelo menos 50 brasileiras podem ter sido alvo do esquema de exploração sexual ligado a Epstein.
Jeffrey Epstein foi preso em 2019 acusado de tráfico sexual de menores nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, morreu na prisão em circunstâncias oficialmente classificadas como suicídio. Mesmo após sua morte, investigações e processos civis continuam revelando detalhes sobre a rede internacional de recrutamento que operava ao redor do financista.
Os documentos analisados fazem parte de um conjunto de milhões de páginas tornadas públicas recentemente e seguem sendo examinados por jornalistas e investigadores em vários países.





