Pesquisa inédita com genoma protege espécies de peixes da Amazônia

Manejo do pirarucu (Foto: Adriano Gambarini/OPAN – Divulgação).
Duas das mais importantes espécies de peixes amazônicos, o pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum), foram escolhidos para ter seus genomas, os conjuntos de DNA, decifrados por um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
Segundo o pesquisador Sidney Santos, que liderou a equipe do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas, o estudo foi motivado pela necessidade de conter os impactos causados pelo avanço da exploração predatória dessas espécies, em função do aumento da demanda.
“A ideia central é, se você, de uma forma equilibrada e direcionada conseguir conhecimento suficiente para produzir esses peixes do jeito mais sustentável possível, você pode diminuir a demanda da natureza”, destacou o pesquisador.
Os cientistas colheram amostras de mais de 100 peixes, para que os DNAs pudessem ser lidos por um sequenciador genético capaz de entender a ordem dos nucleotídeos. Cada ordem diferente traz informações sobre um ser vivo, que juntas formam o genoma daquela espécie. Os nucleotídeos [Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G)], guardam informações precisas sobre saúde, traços físicos e ancestralidade, por exemplo.
Santos explica:
“Isso pode valer para qualquer animal que você imagine, qualquer vegetal. O modelo é sempre o mesmo. Se você, de uma forma sustentada, consegue a informação completa sobre o genoma desses animais, você pode fazer qualquer coisa com eles, inclusive reproduzir”.
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Por meio do conhecimento do genoma das espécies, é possível também saber a origem precisa daquele animal. Conhecer o genoma permite a rastreabilidade genética, segundo diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, Igor Hamoy, que participou do estudo.
“Com a história que está dentro do genoma do pirarucu, por exemplo, eu consigo descobrir se um pirarucu que está sendo vendido em Boston foi oriundo da Amazônia”.
Toda a informação trazida pelo estudo é registrada em um banco genético público, possibilitando o avanço de novas pesquisas sobre a espécie.
Algumas políticas públicas dependem ainda mais dos genomas decifrados por cientistas, como é o caso da elaboração das listas de espécies exóticas invasoras e Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Outro exemplo citado pela secretária é o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado pelo governo federal em 2024. O conhecimento genético permite que as espécies sejam devolvidas aos seus lugares certos, em processos de reflorestação.
Finalmente, Santos destaca que a ampliação de estudos para decifrar genomas de espécies em geral é um tipo de conhecimento que tem uma tendência de avançar no país e em todo o mundo, principalmente pela diminuição do custo dos recursos necessários.
“O genoma humano, que foi o primeiro, demorou 10 anos para fazer, custou de US$ 2,5 a 3 bilhões. A partir daí, o poderio das máquinas foi aumentando. Hoje, com o MGI, que é o equipamento [sequenciador de DNA] que usamos, você consegue fazer 48 genomas humanos em 3 horas, a um custo, que eu espero que ainda diminua, de US$1,5 mil a US$ 2 mil no máximo”, relata.
No Brasil, ele destaca:
“O custo hoje está menor, mas não é um custo ainda acessível para qualquer pesquisador, para qualquer universidade. Então, o parque tecnológico que a UFPA tem aqui, no Laboratório de Genética Humana e Médica, é um parque que consegue fazer tudo isso.
Mas o insumo dessa pesquisa, por exemplo, tem que ser financiado. Então, assim, são muitas linhas de pesquisa, que precisam de financiamento, especialmente aquelas que são pesquisas aplicadas”.
*Com informações de Agência Brasil






