Muito além do tempero: urucum tem propriedades medicinais pouco conhecidas

Foto: Emater-DF
Conhecido popularmente como urucum (Bixa orellana), o vegetal amplamente utilizado na culinária brasileira vai além de seu papel como corante natural. Pesquisas científicas indicam que as sementes verdadeiras da planta, e não o colorau industrializado, possuem compostos bioativos com potencial medicinal, especialmente associados à saúde cardiovascular e metabólica.
De acordo com estudos reunidos pela Embrapa e por universidades brasileiras, o urucum é rico em carotenoides, como a bixina e a norbixina, substâncias com ação antioxidante que auxiliam no combate aos radicais livres. Esses compostos estão associados à redução do estresse oxidativo, fator relacionado ao desenvolvimento de doenças crônicas, como problemas cardíacos e diabetes.
Pesquisadores destacam que o consumo tradicional do chá das sementes de urucum auxilia no controle do colesterol e da glicemia.
A Anvisa reconhece o urucum como seguro para uso alimentar e destaca seu histórico de utilização tradicional, embora especialistas reforcem que seu emprego terapêutico deve ser complementar e baseado em orientação adequada.
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Os estudiosos alertam pela diferenciação entre o colorau industrializado e a semente natural, já que o colorau comercial passa por processos e misturas que reduzem ou anulam os compostos bioativos presentes na semente in natura.
Apesar de ser uma planta comum no cotidiano brasileiro, o urucum ainda é pouco valorizado como recurso medicinal. Especialistas apontam que a falta de informação contribui para o uso incorreto ou para o completo desconhecimento de suas propriedades, reforçando a importância da educação em fitoterapia baseada em evidências científicas e saberes tradicionais.
Como amazônidas utilizam o colorau
Na Região Norte, especialmente entre as populações ribeirinhas que vivem da natureza, o uso do colorau é bem diferente daquele encontrado nas prateleiras dos supermercados. Em vez de comprar o produto em pó, essas comunidades produzem artesanalmente o próprio corante natural, geralmente na forma líquida, utilizado no preparo dos alimentos do dia a dia.
O processo começa com a separação das sementes de urucum da casca. Em seguida, elas são colocadas em uma vasilha com água e amassadas até liberar um líquido de coloração avermelhada, semelhante a um vinho (esse processo também pode ser feito no liquidificador). Depois, o preparo é temperado com sal e um pouco de óleo, coado em uma peneira, e armazenado posteriormente em garrafas PET ou em outros recipientes.
Segundo os ribeirinhos, o colorau líquido tem sabor e aroma diferentes do industrializado, que costuma levar farinha de trigo na composição. Na forma artesanal, dizem eles, é possível sentir o urucum em sua essência, preservando suas características naturais e o vínculo com a tradição amazônica.






