Engarrafamentos, buracos e estresse: problemas que os motoristas mais reclamam em Manaus

O trânsito intenso, os engarrafamentos constantes, as vias mal conservadas e a deficiência do transporte coletivo estão entre as principais reclamações dos motoristas em Manaus. Em entrevista ao Onda News, nesta quarta-feira (20/05), o especialista em mobilidade urbana Manoel Paiva afirmou que os problemas enfrentados diariamente nas ruas da capital refletem anos de falta de planejamento urbano e crescimento desordenado da cidade.
Segundo ele, o congestionamento é hoje o maior desafio para quem precisa se deslocar em Manaus.
“Eu acho que o engarrafamento é o principal, o grave problema que nós temos na cidade, um engarrafamento onde todo mundo junto e misturado. Nós temos muito mais carros do que poucas vias. Então hoje todo mundo perde tempo, todo mundo se irrita, todo mundo efetivamente é impaciente no trânsito, porque o trânsito é travado o tempo todo”, afirmou.
O especialista também destacou que problemas estruturais, como ruas mal conservadas e falta de planejamento viário, agravam ainda mais a situação, principalmente em períodos de chuva.
“Quando chove mais, quando tem pontos de alagamento, quando tem alguns problemas físicos nas vias, ainda piora mais. Nós jogamos o motorista em vias muitas vezes mal sinalizadas, mal conservadas, sem opção”, disse.
Outro ponto citado por Manoel Paiva foi o comportamento agressivo de parte dos condutores no trânsito da capital. Para ele, a postura dos motoristas está diretamente ligada ao cenário caótico enfrentado diariamente nas ruas.
“No fundo, o comportamento do motorista é o comportamento de como nós estamos tratando a maneira de se deslocar. Esse caos generalizado leva a esse mal-estar e à má qualidade de vida que hoje em Manaus ninguém tá satisfeito”, declarou.
Durante a entrevista, o especialista também apontou a precariedade do transporte coletivo como um dos fatores que aumentam o número de carros e motocicletas nas ruas da cidade.
“O problema de Manaus é ter a opção de transportar a sua população de uma maneira coletiva, mais racional, porque é mais barato, é mais seguro, é o mais lógico, é o menos estressante. Hoje o transporte coletivo é minoritário exatamente porque ele não oferece qualidade”, afirmou.





