PF mira esquema de mercúrio para abastecimento de garimpo ilegal no Amazonas

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (2) a Operação Azougue, que investiga um esquema de contrabando internacional de mercúrio e sua distribuição para áreas de garimpo ilegal no Amazonas.
As investigações começaram após a apreensão de cerca de 50 quilos de mercúrio, armazenados em dois recipientes, em abril de 2025. A partir da ação, os investigadores identificaram indícios de uma rede clandestina responsável por introduzir e distribuir a substância na região amazônica.
Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas físicas em Manaus. O objetivo é reunir provas sobre as rotas utilizadas para a entrada do mercúrio no país e seu possível destino final.
O mercúrio é considerado uma substância altamente tóxica e seu uso é frequentemente associado ao garimpo ilegal, atividade que provoca graves impactos ambientais e contamina rios, peixes e populações que dependem desses recursos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de contrabando de mercúrio e transporte de substância tóxica. A Polícia Federal segue apurando a extensão da rede e a participação de outros envolvidos no esquema.
Impactos do mercúrio na vida dos ribeirinhos
Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e debates realizados em audiências públicas na Câmara dos Deputados apontam que o mercúrio utilizado no garimpo, principalmente o ilegal, representa uma das maiores ameaças à saúde e à segurança alimentar das populações ribeirinhas da Amazônia.
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A contaminação ocorre principalmente pelo consumo de peixes contaminados. Ao ser despejado nos rios durante a extração de ouro, o mercúrio entra na cadeia alimentar e se acumula nos peixes, a principal fonte de proteína de famílias ribeirinhas.
Segundo pesquisadores da Fiocruz, a exposição prolongada ao metal pode causar danos neurológicos, perda de memória, dificuldades de aprendizagem, alterações motoras, problemas renais e cardiovasculares. Os efeitos são ainda mais graves em gestantes e crianças, pois o mercúrio pode atravessar a placenta e comprometer o desenvolvimento do feto, causando sequelas permanentes.
Durante audiência pública da Comissão da Amazônia da Câmara, especialistas alertaram que, em algumas comunidades amazônicas, os índices de contaminação chegam a superar em até 20 vezes os limites considerados seguros por organismos internacionais. Além dos impactos à saúde, a contaminação afeta diretamente a subsistência das comunidades ao reduzir a segurança do consumo de pescado e comprometer atividades tradicionais ligadas aos rios.
Pesquisadores também destacam que o problema não se limita aos povos indígenas. Ribeirinhos, pescadores e moradores de cidades amazônicas localizadas ao longo de bacias impactadas pelo garimpo estão entre os grupos mais vulneráveis à exposição crônica ao mercúrio.





