Bloco ‘Siri Quer Pau’ pode virar Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas

Um dos blocos mais irreverentes e tradicionais do carnaval de Manaus pode ganhar reconhecimento oficial do Estado. Está em tramitação na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) um projeto de lei do deputado estadual Sinésio Campos (PT) que declara o Siri Quer Pau como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas.

A proposta busca eternizar a história de um bloco que nasceu de uma simples conversa entre amigos e se transformou em uma das manifestações mais autênticas da cultura popular amazonense. Criado em 1995, no Beco Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro São Raimundo, o Siri Quer Pau surgiu de forma espontânea, quando moradores decidiram sair fantasiados pelas ruas ao som de marchinhas carnavalescas. O que começou como uma brincadeira de vizinhos rapidamente conquistou o bairro e passou a atrair uma multidão de foliões.
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Ao longo de mais de três décadas, o bloco se consolidou como um símbolo da resistência do carnaval de rua em Manaus. Com muito humor, criatividade e participação popular, o Siri Quer Pau atravessou gerações, mantendo viva uma tradição construída pelas famílias da comunidade e fortalecida ano após ano pelo envolvimento dos moradores.
A história do bloco também é marcada pela irreverência que caracteriza o período carnavalesco. Inicialmente chamado de “Xirí Quer Pau”, o grupo teve o nome alterado pelas próprias moradoras da comunidade entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2000, passando a adotar a denominação atual, que se tornou conhecida em toda a cidade.
Desde 2010, o bloco é liderado pela produtora cultural Maria Madalena Soares do Nascimento. Sob sua coordenação, o Siri Quer Pau ampliou sua estrutura, passou a reunir cerca de mil participantes e se consolidou como uma das atrações mais aguardadas do carnaval manauara. O crescimento levou o bloco para além das ruas do beco onde nasceu, sem perder as raízes comunitárias que deram origem à festa.
Se aprovado, o título colocará oficialmente o Siri Quer Pau na lista de bens culturais protegidos pelo Estado, reforçando a importância de uma festa que, há mais de 30 anos, transforma o São Raimundo em palco de alegria, identidade e tradição popular.





