Lixões em chamas podem acelerar queimadas no AM, alerta engenheiro ambiental

Os lixões e vazadouros existentes no Amazonas podem estar contribuindo para o avanço dos incêndios durante os períodos de estiagem no Estado. O alerta foi feito pelo engenheiro ambiental Alan Ferreira, em entrevista ao Onda News, transmitido pela Rede Onda Digital e simultaneamente pela rádio Antena 1 Manaus, nesta sexta-feira (14/8).
O alerta ocorre após um estudo que mapeou essas estruturas e cruzou os dados com registros de focos de calor e indícios de incêndios florestais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Segundo o especialista, o levantamento analisou o período de 2022 a 2025 e já começou a incorporar dados de 2026. A análise identificou que os lixões e vazadouros mapeados registraram ocorrências de incêndios ao longo dos anos analisados.
“Todos esses vazadouros, todos esses lixões, eles sofreram incêndios florestais e foram, e são, um grande combustível para se alastrar na floresta”, afirmou Alan Ferreira.
O engenheiro explicou que os dados já estão tabulados e deverão ser transformados em um artigo científico, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e laboratórios de pesquisa de Manaus. A proposta é apresentar um diagnóstico inédito sobre a relação entre os lixões e a ocorrência de incêndios no Estado.
Situação preocupa municípios do interior
A preocupação se estende aos municípios do interior, onde a destinação dos resíduos sólidos ainda representa um desafio. Lixões de cidades como Manacapuru, Novo Airão e Parintins são apontados como exemplos de estruturas que enfrentam problemas recorrentes, principalmente durante os períodos de estiagem.
Para Alan Ferreira, a situação exige medidas emergenciais e uma mudança na forma como os resíduos são tratados no Amazonas.
“Já acabou o tempo desses lixões, desses vazadouros. Não dá mais para sustentar”, declarou.
O engenheiro também destacou que o problema não deve ser tratado apenas como uma questão ambiental. Segundo ele, o aumento dos períodos de calor e a redução das chuvas podem transformar os incêndios associados aos lixões em um problema com impactos sociais e econômicos.
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Alerta para o segundo semestre de 2026
A previsão do especialista é de que a situação possa se agravar ao longo do segundo semestre deste ano, especialmente diante das condições de calor e estiagem.
“Se a gente está passando por alterações climáticas e quem sofre é a população, isso vai finalizar num problema social e já vem finalizando, já está afetando toda a sociedade e a parte econômica também”, afirmou.
Alan Ferreira defendeu que os aterros sanitários sejam tratados como prioridade pelos gestores públicos, principalmente pelas administrações que assumirão os municípios no próximo ano.
Para ele, o Amazonas precisa avançar na substituição dos lixões por estruturas adequadas para receber e tratar os resíduos domésticos. O alerta, segundo o engenheiro, vale não apenas para os municípios, mas para o planejamento das políticas públicas ambientais do Estado.
“Os aterros sanitários vão se tornar, têm que se tornar prioridade para tratamento desse tipo de lixo doméstico”, concluiu.





