Amazonas terá drogômetro nas fiscalizações de trânsito

O Amazonas se prepara para adotar o drogômetro nas fiscalizações de trânsito. O equipamento analisa uma amostra de saliva do motorista para identificar a presença de determinadas substâncias psicoativas no organismo.
O Detran-AM já treina as equipes para os novos procedimentos. A expectativa é que a compra dos equipamentos aprovados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e o início do uso nas fiscalizações estaduais ocorram ainda este ano.
A novidade foi incorporada aos procedimentos nacionais de fiscalização depois que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou a Resolução nº 1.031/2026.
Como funciona o drogômetro?
Durante a abordagem, o agente de trânsito pode solicitar uma amostra de saliva do motorista. A coleta é feita com uma haste com uma pequena esponja na ponta, que entra em contato com a boca do condutor.
Depois, a amostra é colocada no equipamento, que verifica a presença de substâncias específicas. O resultado é apresentado de forma qualitativa, indicando apenas positivo ou negativo.
Diferentemente do bafômetro, o drogômetro não informa a quantidade ou a concentração da substância encontrada no organismo.
O resultado positivo, por si só, não significa que o motorista será autuado por dirigir sob influência de drogas. A fiscalização deve considerar os demais elementos previstos nas regras de trânsito, incluindo sinais de alteração da capacidade psicomotora.
Quais drogas podem ser detectadas?
O equipamento certificado para uso no Brasil identifica diferentes substâncias psicoativas, entre elas cocaína, THC, LSD, MDMA, heroína, metanfetamina, anfetaminas, opioides, morfina, fentanil e cetamina.
A tecnologia foi desenvolvida como ferramenta complementar à fiscalização, ajudando os agentes a identificar situações em que o uso de determinadas substâncias possa estar relacionado à condução de veículos.
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Recusa ao teste também gera penalidade
Assim como ocorre com o bafômetro, a legislação prevê penalidade para o motorista que se recusar a realizar o procedimento.
O artigo 165-A do Código de Trânsito Brasileiro classifica a recusa como infração gravíssima, com multa e suspensão do direito de dirigir por 12 meses.
Mesmo diante da recusa, o agente pode avaliar outros sinais apresentados pelo motorista para verificar eventual alteração da capacidade psicomotora.
Amazonas já registra milhares de autuações por embriaguez
A possível chegada do drogômetro ocorre enquanto a fiscalização contra a combinação de álcool e direção segue registrando números elevados no Amazonas.
Segundo dados do Detran-AM, foram 1.428 autuações por embriaguez ao volante em 2024. No ano seguinte, o número subiu para 2.325, crescimento de quase 63%. Entre janeiro e agosto de 2026, já foram registradas 971 autuações.
Com a nova tecnologia, a fiscalização poderá ampliar o alcance das abordagens e passar a contar também com um mecanismo específico para identificar a presença de determinadas drogas no organismo dos condutores.
A implantação no Amazonas ainda depende da conclusão dos treinamentos e da aquisição dos equipamentos certificados. A previsão do Detran-AM é que a tecnologia possa começar a ser usada no Estado ainda em 2026.





