“IA não substitui o humano, mas muda a forma de trabalhar”, diz especialista

A inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta exclusiva de grandes corporações e se tornou acessível para empresas de todos os portes. É o que defende Marcelo Laranjeira, fundador da Automatikus, empresa de tecnologia especializada na criação de “robôs digitais” com IA.
Em entrevista ao programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital, nesta quinta-feira (10/9), ele explicou como a tecnologia pode transformar a rotina de pequenos e médios negócios, automatizando desde a leitura de e-mails até o atendimento ao cliente.
Automação de tarefas repetitivas
Segundo Laranjeira, a primeira grande contribuição da IA é tirar da equipe o peso das tarefas repetitivas. “A inteligência artificial pode ler os e-mails da empresa todos os dias, gerar tarefas de forma automática e criar várias coisas em relação ao que o time precisa fazer”, afirmou.
Ele citou exemplos práticos, como responder mensagens de clientes, organizar planilhas, criar conteúdo, fazer prospecção e até conduzir atendimentos completos. “A IA faz 70% do trabalho repetitivo, mas o humano nunca vai deixar de criar. O pensamento criativo é do ser humano, e a configuração da IA também”, destacou.
Atendimento híbrido e personalizado
O especialista explicou que a IA pode atuar de forma híbrida, conduzindo o atendimento até certo ponto e transferindo para um humano quando necessário.
“Temos empresas que fazem o fechamento até o faturamento da nota fiscal. A IA faz a triagem e só manda para o humano quando o cliente está pronto para fechar”, contou.
Ele citou casos de clientes como um pet shop que atende 24 horas por dia e conselhos regionais que tiram dúvidas e enviam documentos de forma automática. “O ser humano não precisa mais responder mensagens no WhatsApp. Ele precisa fazer fechamentos, criar relatórios, fazer vendas”, disse.
Acessível para pequenas empresas
Laranjeira desmistificou a ideia de que a IA é cara ou restrita a grandes empresas. “Hoje a inteligência artificial colocou todo mundo num patamar linear. Você não precisa ter grandes valores para utilizá-la”, afirmou.
Escritórios com apenas uma pessoa trabalhando já conseguem usar a tecnologia para dar suporte às operações. “O pequeno profissional com equipe reduzida consegue muito bem utilizar a IA com preço acessível e ter produtividade muito acima”, garantiu.
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Processo antes da ferramenta
O especialista alertou, no entanto, que a IA mal utilizada pode prejudicar a empresa. “Se você pede uma coisa genérica, ela vai te entregar um produto genérico. Se não for utilizada de forma responsável, pode destruir uma empresa”, alertou.
O primeiro passo, segundo ele, é entender o próprio processo. “A gente precisa entender o que fazemos, o que vendemos, qual é a nossa meta de entrega. A IA trabalha com comandos. Se você não sabe o que quer, ela não vai adivinhar”, explicou.
Futuro do trabalho
Para Laranjeira, a IA já está transformando o mercado de trabalho. “Empresas que usam IA faturam 40% mais do que faturavam há dois anos. Jovens de 17, 18 anos que entendem a tecnologia têm salários 30% maiores”, afirmou.
Ele defendeu que a IA não veio para substituir o humano, mas para mudar a forma como ele trabalha. “A empresa que não utiliza a IA está sempre 20% atrás das que utilizam. A inteligência artificial vai ditar como você vai trabalhar”, concluiu.





