Integrantes do governo federal avaliam, em conversas reservadas, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa adotar um posicionamento firme para tranquilizar o mercado financeiro e tentar frear a subida do dólar.
Segundo interlocutores, apenas um pronunciamento claro de Lula demonstrando compromisso com soluções para o endividamento público teria o impacto necessário para reverter o cenário atual.
Na última quarta-feira (18/12), o dólar registrou uma forte alta, fechando em R$ 6,2672, um aumento de 2,82%. Essa foi a maior alta percentual desde 10 de novembro de 2022, quando o aumento foi de 4,10%.
O real segue desvalorizado à medida que pioram as expectativas do mercado financeiro em relação ao pacote de cortes de gastos proposto pelo governo federal.
Na noite de terça-feira (17), o Congresso Nacional começou a aprovar as primeiras medidas do pacote. A Câmara dos Deputados aprovou um texto que proíbe a ampliação de benefícios tributários em cenários de déficit público. Além disso, foi criado um “gatilho” que limita o aumento de despesas com pessoal sempre que o governo apresentar um déficit primário — situação em que as despesas superam as receitas.
Outras medidas do pacote, como mudanças na regra do salário mínimo e nos abonos salariais, também devem ser votadas pela Câmara nesta quarta-feira (19) antes de seguirem para o Senado Federal. O objetivo do governo é demonstrar austeridade fiscal e conter a deterioração da confiança do mercado.
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Lula participa de reunião ministerial
O presidente Lula deve retornar a Brasília na sexta-feira (20), após realizar exames médicos em São Paulo. Ele passará por um almoço com ministros na Granja do Torto, em um formato menos formal que a tradicional reunião ministerial de fim de ano. A decisão visa preservar a saúde de Lula, que recentemente precisou de atendimento médico emergencial devido a um acidente em outubro.
Esse encontro será uma oportunidade para alinhar estratégias e reforçar a necessidade de aprovar medidas que sinalizem controle das contas públicas. Integrantes do governo acreditam que esse alinhamento é essencial para conter a alta do dólar e a instabilidade econômica.
*Com informações de G1 e CNN