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Médico detalha fatores que podem ter agravado broncopneumonia de Jair Bolsonaro

Broncoaspiração, refluxo e apneia do sono podem ter contribuído para o agravamento do quadro de saúde do ex-presidente
14/03/26 às 14:29h
Médico detalha fatores que podem ter agravado broncopneumonia de Jair Bolsonaro

Bolsonaro está internado no Hospital DF Star, em Brasília, após passar mal na prisão durante a madrugada desta sexta-feira (13/3). (Foto: reprodução/BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto)

A Rede Onda Digital acompanha as informações sobre o estado de saúde do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star, em Brasília, desde a manhã de sexta-feira (13/3), com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral.

Nossa equipe de reportagem consultou o médico pneumologista David Luniere, que avaliou o quadro clínico de Bolsonaro, Segundo o especialista, a condição está relacionada a um processo de pneumonia broncoaspirativa, situação em que conteúdos do trato digestivo acabam sendo aspirados para os pulmões, provocando inflamação e favorecendo infecções.

De acordo com Luniere, o histórico clínico do ex-presidente pode ter contribuído para o agravamento do quadro. Ele explica que o trauma abdominal provocado pela facada sofrida por Bolsonaro em 2018, durante a campanha presidencial pode ter alterado o trânsito intestinal e favorecido episódios de refluxo e crises de soluço. Essas condições, especialmente quando o paciente está deitado, aumentam o risco de microaspiração do conteúdo gástrico para as vias respiratórias.

O médico também destaca que Bolsonaro possui histórico de Apneia do Sono, doença caracterizada por pausas na respiração durante o sono.

“Essas paradas respiratórias elevam a pressão intratorácica e abdominal, o que pode favorecer ainda mais episódios de broncoaspiração durante a noite. Talvez ele não esteja usando o aparelho CPAP [Continuous Positive Airway Pressure], que é um equipamento indicado para pacientes com apneia do sono para manter as vias aéreas abertas durante o descanso”.

O médico pneumologista David Luniere. (Foto: acervo pessoal)

Luniere explica que, quando ocorre a microaspiração, o material aspirado provoca inicialmente um processo inflamatório nos pulmões. “A presença de micro-organismos presentes no ar, como vírus, fungos e bactérias, encontra então um ambiente favorável para proliferação, levando ao desenvolvimento da pneumonia”, detalhou.

Segundo o pneumologista, o quadro infeccioso pode evoluir para Sepse, situação em que a resposta inflamatória do organismo se espalha pelo corpo e passa a comprometer o funcionamento de diversos órgãos. No caso do ex-presidente, o médico afirma que já há indícios de comprometimento sistêmico, com impacto na função renal.


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O médico ainda alerta para o agravamento do quadro clínico de Bolsonaro, comprometendo a pressão arterial.

“Se a infecção não for controlada rapidamente, o quadro pode evoluir para Choque Séptico, que estágio mais grave da sepse, caracterizado pela queda da pressão arterial e a necessidade de medicamentos vasoativos para manter a circulação sanguínea“, explicou.

Em casos como esse, também existe risco de insuficiência respiratória, podendo ser necessária a intubação e o uso de ventilação mecânica.

O especialista ressalta ainda que a idade, a presença de outras doenças e o uso de medicamentos potentes, incluindo antibióticos de amplo espectro, podem afetar ainda mais a função renal, aumentando o risco de o paciente precisar temporariamente de hemodiálise.

Para Luniere, o quadro de Bolsonaro é considerado grave e justifica a permanência na UTI. A resposta ao tratamento, segundo ele, deve ser observada nas próximas 24 a 48 horas, período considerado decisivo para avaliar a eficácia dos antibióticos utilizados ou a necessidade de mudança no protocolo terapêutico.

 

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