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Direitos sem prazo de validade: Câmara avança em projeto que garante laudo permanente para pessoas com autismo

Direitos sem prazo de validade: Câmara avança em projeto que garante laudo permanente para pessoas com autismo

Proposta de autoria do deputado Marcos Tavares, com relatoria de Amom Mandel, elimina exigência de renovação do diagnóstico de TEA e promete mais segurança jurídica para famílias

Uma mudança legislativa com potencial de impactar diretamente milhares de famílias brasileiras avançou na quarta-feira (27/08) na Câmara dos Deputados. A Comissão de Saúde aprovou o parecer do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM) ao Projeto de Lei nº 4.892/2023, de autoria do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ). O texto prevê validade permanente para o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), quando atestado em laudo médico pericial.

Se aprovado nas próximas etapas — a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o plenário — o projeto estabelecerá que o laudo passe a valer retroativamente ao nascimento da pessoa diagnosticada, eliminando de vez a necessidade de renovações periódicas para garantir acesso a direitos.

“A pessoa que é autista sempre vai ter esse diagnóstico. A condição não desaparece com o tempo. Obrigar as famílias a renovar esse laudo é impor uma burocracia injustificada que sobrecarrega o sistema e impede o acesso pleno aos direitos garantidos por lei”, argumentou Mandel, que também é a primeira pessoa autista a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional e relator do projeto na Comissão de Saúde.

Fim da Burocracia, Início da Autonomia

Na prática, o projeto tem efeito direto sobre a vida de 1,2% da população brasileira — percentual identificado pelo Censo Demográfico de 2022 como sendo de pessoas com diagnóstico de TEA. A proposta atende à crescente demanda por mais autonomia e menos entraves para que famílias e indivíduos com TEA possam reivindicar direitos como acesso à saúde, educação inclusiva, transporte gratuito e benefícios sociais, já garantidos pela Lei Berenice Piana.

Além do aspecto jurídico, o projeto também toca em outra ferida: o estigma social.

“O TEA ainda é uma condição invisibilizada. Quando o acesso a documentos ou direitos exige repetidas comprovações, isso expõe a pessoa a constrangimentos e a situações discriminatórias que podem gerar crises ou traumas”, alertou Mandel.


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Identificação Unificada para PCDs

Paralelamente ao avanço do PL 4.892/2023, Amom Mandel também é autor de outro projeto relevante: o que torna obrigatória a inclusão da condição de pessoa com deficiência (PCD) no novo Documento Nacional de Identidade (DNI). A inclusão será opcional e dependerá da solicitação e comprovação documental no momento da emissão.

A medida visa transformar a carteira de identidade em único comprovante necessário para acessar os benefícios legais da condição, reduzindo ainda mais a burocracia enfrentada por pessoas com deficiência no Brasil.

“O objetivo é simples: tornar o acesso a direitos mais rápido, mais justo e mais humano”, resume o parlamentar.

Com a proposta do laudo permanente agora a caminho da CCJ, a expectativa é de que o tema entre definitivamente na pauta nacional, não apenas como uma vitória legislativa, mas como um avanço simbólico na inclusão real de pessoas com TEA na sociedade brasileira.

Veja o projeto na íntegra: