Cientista político Raimundo Nonato analisa as eleições

Ao comentar o perfil do eleitor, Nonato destacou que fatores territoriais, ideológicos e comunitários produzem comportamentos diferentes. Segundo ele, mesmo eleitores alinhados a determinado campo político podem separar as escolhas para presidente, governador e cargos legislativos.
“Tem esse perfil, mas ele, me perdoe, não é tão significativo. […] Eu acho que o eleitor diferencia as instâncias”, afirmou.
Escolha dos ministros do STF
Sobre a escolha dos integrantes do STF, o cientista político defendeu critérios mais objetivos e mecanismos capazes de reduzir a influência de interesses políticos e corporativos.
“Primeiro é criar as condições mais objetivas e claras. […] Tanto de um lado quanto do outro, não há espaço para os interesses privados ou interesses corporativos. O juiz tem que ser, de alguma forma, imparcial e isento em relação a isso”, declarou.
Transferência de votos e representatividade
Na avaliação de Nonato, o apoio de um candidato derrotado a outro nome no segundo turno tem relevância simbólica, mas não garante a migração automática do eleitorado.
“Na realidade, isso é um rito. […] É o jogo político: eu colo em você, você cola em mim. […] Ele não é automático”, explicou. Para ele, a transferência tende a ser maior entre eleitores identificados com grupos ideológicos e tradições políticas.
Ao tratar da atuação parlamentar, Nonato questionou quais interesses são efetivamente representados pelos deputados e criticou o afastamento entre os mandatos e as demandas coletivas.
“A política passou a ser algo para interesse próprio, não para interesse coletivo. […] O parlamentar vive mais da política do que para a política”, avaliou.
Amazonas e reforma política
O cientista político também afirmou que o Amazonas precisa ser pensado como um projeto de futuro, acima de interesses pessoais. Ao final, defendeu maior participação da sociedade civil e das universidades no debate eleitoral e considerou que o atual sistema político já apresenta sinais de esgotamento.
Assista à entrevista na íntegra:





