“Brasil não aceita desaforo”: Lula diz que vai esperar Trump falar sobre tarifaço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou nesta sexta-feira (17/7) sobre a aplicação do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Durante evento no Rio de Janeiro, Lula afirmou que vai aguardar um posicionamento do presidente Donald Trump antes de se manifestar sobre o tema.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei, porque vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira”, disse o presidente.
Ao final do evento, Lula voltou a falar sobre o tema. “Esse país precisa estar de cabeça erguida, porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo”, afirmou.
O tarifaço
Os Estados Unidos decidiram, na última quarta-feira (15), taxar produtos brasileiros em 25%, após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
O governo brasileiro estima que a taxa impactará cerca de 18% das exportações do país aos EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Entre os itens afetados estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e produtos químicos.
Governo avalia resposta
Em nota, a Presidência da República afirmou que o Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e que o tema será retomado no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo brasileiro contesta os argumentos do USTR e avalia não haver justificativa para a aplicação das sanções econômicas. O Planalto avalia haver motivação política na imposição das taxas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia antecipado a possibilidade de utilização da Lei de Reciprocidade.





