Presidente de escola de samba preso tentou impedir ex-mulher de desfilar no Carnaval, diz polícia

(Foto: Reprodução)
O presidente da escola de samba A Grande Família, Cleido Barroso, conhecido como “Caçula”, foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (5/2) não apenas pelas agressões cometidas contra a ex-companheira, a passista Marryeth Soare, de 29 anos, mas por ter perseguido e intimidado a vítima após ser solto, com o objetivo claro de impedi-la de desfilar no Carnaval deste ano em Manaus.
Os detalhes foram revelados pela delegada Patrícia Leão, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), durante coletiva de imprensa. Segundo ela, após ser liberado com fiança no dia 16 de janeiro, quando havia sido preso em flagrante por lesão corporal e ameaça, Cleido iniciou uma campanha de perseguição contra Marryeth.
“No dia 19, ele passou a deliberadamente perseguir essa mulher, circulando nas proximidades da residência dela, assim como também passou a mandar mensagens e fazer ligações, inclusive por intermédio de terceiras pessoas, querendo intimidá-la, tendo em vista a posição em que ocupa, para que ela não participasse ali do Carnaval, até mesmo porque ela já até pagou a indumentária que iria utilizar”, afirmou a delegada.
Medo e mudança de rotina
A vítima, segundo Patrícia Leão, mudou completamente seus hábitos por medo. “Ela fala que ele é bastante agressivo, ela relata que tinha medo dele. Por conta dessa postura, após a prisão e ele ter sido colocado em liberdade, ela passou a mudar comportamentos, justamente para evitar qualquer tipo de contato”.
Com base nos relatos de perseguição e no descumprimento da medida protetiva que havia sido deferida, a DECCM representou pela prisão preventiva de Cleido e solicitou busca e apreensão, já que a vítima relatou que ele possuía armas. A polícia o localizou na escola de samba, onde foi preso, mas nenhum armamento foi encontrado no local.
Leia mais
URGENTE: Presidente da escola de samba A Grande Família é preso por agredir ex-mulher
Conselho Fiscal pede afastamento do presidente da A Grande Família após denúncia de agressão
“Medida protetiva salva vidas”
A delegada reforçou a importância da medida protetiva, muitas vezes questionada publicamente. “A gente vê muitas pessoas falando que a medida protetiva é uma folha de papel e que não serve de nada. A medida protetiva só não vale para aqueles que descumprem. A partir daí, nós temos um arcabouço jurídico para fundamentar a prisão dele, que foi o que aconteceu”.
Ela ainda lembrou:
“Todos os casos de feminicídios que nós tivemos aqui no Amazonas, nenhuma mulher tinha boletim de ocorrência. Então, a medida protetiva salva vidas, sim”.
Cleido nega o crime
Questionado pela imprensa ao chegar à delegacia, Cleido negou as acusações e, ao ser indagado sobre o caso, disse apenas: “É muito quente aqui dentro”, referindo-se ao interior da viatura. Ele optou por ficar calado perante os delegados, reservando-se ao direito de falar apenas em juízo.
O suspeito será encaminhado à audiência de custódia e responde agora pelos crimes de descumprimento de medida protetiva e perseguição, além das acusações anteriores de lesão corporal, ameaça e sequestro, por impedir a saída da vítima da residência onde ela morava.
O Conselho Fiscal da A Grande Família já havia solicitado o afastamento dele da presidência, em nota que citou a necessidade de “preservar a imagem institucional e a segurança das mulheres e integrantes da agremiação”.






