
Policiais envolvidos em milícia sequestravam criminosos e exigiam pagamento de resgate em Manaus
Os policiais militares e um perito da Polícia Civil presos, na manhã desta terça-feira (29/07), suspeitos de integrarem uma milícia para praticar roubos e extorsão mediante sequestro tinham como alvo criminosos e familiares de envolvidos, para extorquir e garantir transferências volumosas, além de roubar pertences, como joias e itens de valor, em Manaus.
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A operação cumpriu nove mandados de prisão, sendo oito de prisão preventiva contra policiais militares e um de prisão temporária contra um perito da Polícia Civil. Também foram realizados 16 mandados de busca e apreensão. As operações ocorreram nas residências dos policiais e no Batalhão da Força Tática, localizado no Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), bairro Praça 14, zona sul da cidade.
Para compartilhar mais detalhes, o MPAM realizou coletiva com as presenças do promotor de Justiça Armando Gurgel Maia, titular da 60ª Proceapsp; do promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, coordenador do Caocrimo; do coronel Klinger Paiva, comandante-geral da PMAM; e do coronel José Corrêa Júnior, diretor de Justiça e Disciplina da PMAM.
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Investigações

A investigação foi instaurada após um sequestro realizado no bairro Manoa, em fevereiro de 2025. O episódio, registrado por populares e amplamente divulgado na imprensa, passou a ser investigado pela 60ª Proceapsp em virtude da suspeita do envolvimento de policiais na ocorrência. Durante a apuração, a promotoria localizou duas outras vítimas do grupo criminoso, das quais foram extorquidos cerca de R$ 300 mil.
“A partir desses dois fatos, conseguimos fazer o levantamento das ações e a identificação dos envolvidos. As investigações ainda continuam, com o objetivo de alcançar outros eventuais participantes dessa trama criminosa”, declarou o promotor Armando Gurgel.
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Apreensões
A operação apreendeu 14 pistolas, um revólver, três fuzis, um fuzil de airsoft, 653 munições, 14 celulares, três veículos e mais de R$ 10 mil, em espécie. Os armamentos serão periciados e incluídos no Banco Nacional de Balística, para identificar se foram utilizados em crimes de homicídio.
“Estamos investigando a possibilidade de que mais pessoas tenham sido vítimas, e com a divulgação, agora, sabendo que os agentes estão presos, tenham coragem de vir denunciar ao MP outras ações desse grupo. Diariamente, o Ministério Público exerce essa atividade de controle externo da atividade policial e, em decorrência disso, conseguimos realizar essas ações de investigação e apreensão de grande quantidade de armamento”, comentou o promotor de Justiça.
À imprensa, o coronel Klinger Paiva, comandante-geral da PMAM, reforçou o apoio da corporação à operação do MP. “Desde o inicio, a PMAM tem apoiado essa ação para que tudo seja esclarecido. Esses oito policiais militares não representam seis mil homens da corporação”, afirmou.
A operação “Militia” ainda contou com o apoio de setores especializados das Polícias Civil e Militar do Amazonas, no caso a Diretoria de Justiça e Disciplina da Polícia Militar (DJD-PM), a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil (Core/PC), o Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) e o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).
