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Livro, aliados e recados sutis: o ato que reposiciona Omar Aziz no tabuleiro de 2026

Evento reuniu lideranças estratégicas, expôs o foco no interior do Estado e sinalizou que a pré-candidatura do senador entra em fase de articulação programática e política
27/02/26 às 15:25h
Livro, aliados e recados sutis: o ato que reposiciona Omar Aziz no tabuleiro de 2026

O lançamento do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, Eixo 01, pelo senador Omar Aziz (PSD), foi mais do que a apresentação de um livro técnico. Nos bastidores, o movimento é interpretado como a largada formal de uma pré-campanha calculada ao Governo do Estado em 2026.

Realizado na Livraria Valer, no Largo São Sebastião, o evento teve formato enxuto, quase acadêmico para quem vê de fora, mas com forte simbolismo político dentro. Ao optar por um ambiente de debate e formulação, e não por um ato em um palanque, como geralmente esperaríamos disso, Aziz sinalizou que pretende construir sua narrativa eleitoral ancorada na ideia de planejamento, previsibilidade e compromisso público antecipado.

“Isso nunca foi feito antes em nenhum processo político, de você colocar à disposição oito meses antes da eleição um plano estratégico para discutir com a sociedade”, afirmou o senador, em clara tentativa de diferenciar sua movimentação das pré-campanhas tradicionais baseadas apenas em “discursos genéricos”.

A presença do senador Eduardo Braga (MDB) no evento foi um dos pontos mais observados. Embora não tenha havido anúncio formal de alinhamento eleitoral, o gesto político foi lido como demonstração de diálogo aberto entre duas das principais lideranças do Amazonas. A imagem dos dois juntos reforça a percepção de que dificilmente haverá ruptura interna na sigla, ao menos neste estágio.

Também marcaram presença os deputados federais Adail Filho, Pauderney Avelino, Sidney Leite e Silas Câmara, além de deputados estaduais, vereadores de Manaus e prefeitos de colégios eleitorais estratégicos como Coari, Parintins, Manacapuru e Barreirinha. A lista não foi numerosa, mas foi cirúrgica: nomes com peso regional e capacidade de articulação local.

Ao ser questionado sobre a ausência de um contingente maior de aliados, Omar adotou tom bem sereno pela observação. “Isso faz parte do processo político”. Ele fez questão de frisar que não houve convite formal e que nenhum prefeito recebeu ligação sua ou de assessores. A declaração, que ecoou nos bastidores, cumpre uma dupla função: evita leitura de esvaziamento e, ao mesmo tempo, preserva espaço para ampliar o arco de alianças sem parecer que já fechou questão.


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Outro movimento estratégico foi o anúncio de que pretende reunir os 60 prefeitos do Amazonas em um próximo evento. A sinalização é clara: o Eixo 01 é apenas a primeira etapa de uma agenda de construção coletiva. Disto, a gente pode avaliar que as próximas agendas devem incluir convites formais a outras lideranças políticas, inclusive de campos hoje não alinhados, ampliando o caráter suprapartidário do debate.

No conteúdo, o plano revela a espinha dorsal do discurso que Omar pretende sustentar na campanha: interiorização do desenvolvimento e reorganização do eixo econômico estadual. “Nenhuma atividade de fim funciona se não tiver um eixo econômico”, afirmou. Ao colocar a economia como primeiro pilar, ele delimita o terreno da disputa, antecipando o debate sobre Reforma Tributária, contas públicas e futuro da Zona Franca.

No pano de fundo, o lançamento cumpre três objetivos estratégicos: Primeiro, consolida a pré-candidatura de forma programática, reduzindo espaço para adversários questionarem falta de conteúdo. Segundo, testa a capacidade de mobilização sem tensionar alianças. Terceiro, cria um fato político positivo em torno de um tema técnico, fugindo da polarização imediata.

Ao colocar o documento “à disposição da sociedade”, como afirmou, Omar assume o risco calculado de abrir o texto a críticas, mas também ocupa o debate público antes que o calendário eleitoral o faça obrigatoriamente.

Nos bastidores, a leitura predominante é de que o Eixo 01 não é apenas um livro. É um instrumento de articulação. E os próximos capítulos, tanto do plano quanto da movimentação política, devem mostrar até que ponto essa estratégia conseguirá transformar formulação técnica em capital eleitoral.

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