Venezuela inicia retomada de processo diplomático com os Estados Unidos

(Foto: Imagem gerada por IA)
O governo da Venezuela anunciou nesta sexta-feira (9/1) a abertura de um “processo exploratório diplomático” com os Estados Unidos com o objetivo de discutir a retomada das relações diplomáticas entre os dois países, rompidas desde 2019. A informação foi divulgada em comunicado assinado pelo chanceler venezuelano, Yván Gil.
Segundo o texto, a iniciativa pretende tratar, entre outros pontos, da ofensiva militar norte-americana ocorrida no último sábado (3/1), que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, além de estabelecer uma agenda de temas considerados de interesse mútuo. O anúncio ocorre quase uma semana após a operação dos EUA em território venezuelano.
No comunicado, o governo venezuelano afirma que foi alvo de uma “agressão criminosa, ilegítima e ilegal”, que teria provocado a morte de mais de uma centena de civis e militares. A chancelaria classifica a detenção de Maduro e de sua esposa como uma grave violação ao direito internacional, à imunidade de chefes de Estado e aos princípios da soberania nacional, e afirma que o eventual diálogo deverá ocorrer dentro desse marco jurídico.
A ação militar também repercutiu na região. Durante reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), o governo brasileiro classificou o sequestro do presidente venezuelano como grave. O embaixador do Brasil na entidade, Benoni Belli, afirmou que o episódio remete a práticas consideradas superadas na América Latina.
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Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou conversas com líderes regionais. Na quinta-feira (8), Lula falou por telefone com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Em nota, o Palácio do Planalto informou que ambos manifestaram preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, apontando risco à paz regional e à ordem internacional. Brasil e Colômbia fazem fronteira com a Venezuela em extensões superiores a dois mil quilômetros cada.
Nos Estados Unidos, o Senado aprovou recentemente uma resolução que determina a interrupção de ações militares contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso. O texto orienta o presidente norte-americano a cessar o uso das Forças Armadas em hostilidades no país vizinho, salvo em caso de declaração formal de guerra ou autorização legislativa.
Paralelamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista ao jornal The New York Times que Washington poderá controlar, por anos, a receita da venda de petróleo venezuelano. O republicano já havia declarado que os Estados Unidos se apropriaram de cerca de 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela, destinados ao refino e à comercialização.
*Com informações da Agência Brasil






