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Conheça o ‘coelho gótico’: a criatura ancestral que parece um texugo e vive no Japão

Animal é raramente visto e é classificado como "em perigo de extinção"
16/02/26 às 22:00h
Conheça o ‘coelho gótico’: a criatura ancestral que parece um texugo e vive no Japão

Imagem criada por IA

Nas remotas ilhas de Amami Ōshima e Tokunoshima, no sul do Japão, habita um animal que parece ter saído de um conto sombrio. O coelho-de-amami, também conhecido como coelho-de-ryukyu, é uma espécie rara e de aparência peculiar que desafia o imaginário popular, e por isso ganhou o apelido informal de “coelho gótico”.

Diferente dos coelhos comuns, de orelhas longas e corpos esguios, o Pentalagus furnessi possui orelhas muito curtas, pelagem grossa e escura com tons avermelhados e um corpo atarracado, que lembra mais um texugo do que um coelho.

A aparência incomum, combinada aos seus hábitos noturnos e ao ambiente isolado onde vive, contribui para o ar de mistério que cerca a espécie.

Um fóssil vivo

Os cientistas consideram o coelho-de-amami um verdadeiro “fóssil vivo”. Estudos indicam que ele pode ser descendente direto do gênero Pliopentalagus, um grupo de coelhos primitivos que surgiu no continente asiático há cerca de seis milhões de anos e desapareceu do registro fóssil no final do Pleistoceno.

Isso significa que o pequeno habitante das ilhas Ryukyu carrega em seu DNA características de uma linhagem ancestral que resistiu ao tempo.

Adaptado para sobreviver

Totalmente adaptado à vida nas florestas densas, o coelho-de-amami tem hábitos estritamente noturnos. Durante a madrugada, ele percorre a mata em busca de alimento: no verão, come gramas e samambaias; no inverno, sua dieta é baseada em nozes e bolotas.

Suas garras são uma das adaptações mais impressionantes. Longas, retas e extremamente resistentes, permitem que ele escave tocas profundas no solo acidentado das colinas, servindo como abrigo contra predadores e intempéries.

Essas mesmas garras também ajudam na locomoção em terrenos íngremes, mostrando como sua anatomia é especializada para o nicho que ocupa.

Ameaças e preservação

Apesar de sua história de resistência, o coelho-gótico enfrenta sérios riscos. Antes da década de 1920, a caça e o uso de armadilhas reduziram drasticamente sua população. A primeira proteção legal veio em 1921, quando o Japão declarou a espécie monumento natural. Em 1963, o status foi elevado para monumento natural especial, proibindo terminantemente sua captura.

Hoje, a Lista Vermelha da IUCN classifica o Pentalagus furnessi como “em perigo de extinção”. Estima-se que existam entre 2 mil e 4,8 mil indivíduos em Amami Ōshima, enquanto na pequena Tokunoshima a população é de apenas cerca de 400 animais.

As principais ameaças atuais são a perda de habitat causada pelo desmatamento comercial, a expansão agrícola e o avanço urbano. Essas mudanças fragmentam o ecossistema, isolando grupos e dificultando a reprodução.

A espécie depende de um mosaico de florestas jovens e maduras para sobreviver, a ausência de qualquer um desses estágios florestais compromete suas funções biológicas básicas.

Além disso, a introdução de espécies exóticas, como mangustos, representa um perigo constante para os ninhos e filhotes.

Símbolo de resistência ancestral

Raramente visto, o coelho-de-amami segue como objeto de estudo e fascínio para pesquisadores. Sua existência é um lembrete de como a vida pode se adaptar e persistir em cantos remotos do planeta, e de como a preservação de ecossistemas inteiros é fundamental para garantir que essas testemunhas vivas do passado não desapareçam para sempre.

*Com informações da SoCientífica