Brasileiro eleito na Flórida diz que vitória democrata é resposta às políticas de Trump

O brasileiro Felipe Sousa Lazaballet, eleito para a legislatura estadual da Flórida, afirmou que o avanço dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos representa uma reação às políticas do presidente Donald Trump, principalmente nas áreas de imigração e economia.
Em entrevista ao SBT News nesta quarta-feira (4/11), ele destacou que sua eleição representa um marco histórico: será o primeiro brasileiro, primeiro imigrante LGBT e primeiro dreamer a ocupar uma cadeira na legislatura estadual.
Lazaballet afirmou ter conquistado quase 63% dos votos na disputa pelo distrito 62 e destacou que os democratas conseguiram mudar 16 cadeiras na legislatura da Flórida, em uma das maiores alterações na composição política do estado.
O brasileiro também relacionou o resultado eleitoral ao desgaste da administração Trump. Segundo ele, o aumento das ações contra imigrantes e a elevação do custo de vida, incluindo o preço dos combustíveis em meio à guerra contra o Irã, influenciaram a mudança de comportamento de parte do eleitorado.
“Tudo isso foram momentos muito profundos, que causaram uma diferente maneira de pensar dentro dos americanos, inclusive nos votantes que são republicanos, muitos que votaram para os democratas”, afirmou.
Trajetória como imigrante
Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Felipe chegou aos Estados Unidos aos 14 anos e viveu durante 15 anos sem documentação migratória. Antes de entrar na política eleitoral, participou de movimentos de defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBT+.
Ele contou que decidiu disputar uma eleição após a reeleição de Trump, em 2024, quando entendeu que precisava ampliar sua atuação política.
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“Esse momento requeria uma certa maneira de sair dos nossos próprios medos e nos puxar a fazer mais”, relatou.
Durante a campanha, segundo o brasileiro, a equipe percorreu 42 mil residências e realizou ligações para 20 mil eleitores no último fim de semana antes da votação.
Imigração e custo de vida influenciaram votação
Ao comentar a mudança de comportamento do eleitorado latino, Felipe afirmou que as operações migratórias do governo Trump tiveram impacto na percepção de parte dessa população.
Segundo ele, aproximadamente 25% dos eleitores latinos disseram conhecer alguém que havia sido preso por autoridades migratórias ou deportado.
O deputado eleito também criticou as condições de detenção de imigrantes na Flórida, citando instalações construídas na região de Everglades. Para ele, as ações ultrapassaram a discussão sobre deportações e passaram a representar um problema relacionado aos direitos humanos e às garantias constitucionais.
“Estar indocumentado nos Estados Unidos não é um crime, é um processo civil”, afirmou.
Brasileiros na política americana
Felipe também destacou a participação da comunidade brasileira nas eleições. Segundo ele, aproximadamente 2 milhões de brasileiros vivem nos Estados Unidos, sendo cerca de 200 mil na região central da Flórida.
O parlamentar eleito afirmou que a presença de brasileiros em cargos públicos permite ampliar a discussão sobre imigração, salários, saúde pública, educação, moradia e proteção ambiental.
“Quem não tem representação, é o que a gente fala aqui, quem não está na mesa, está no menu. Então a gente agora está na mesa, vamos levar as nossas pautas para frente”, declarou.
Na entrevista, ele também comentou a eleição de representantes de diferentes grupos sociais, como mulheres, negros e muçulmanos. Para Felipe, o resultado demonstra uma busca por maior diversidade na representação política americana.
Ao encerrar a participação, o brasileiro deixou uma mensagem aos jovens que acompanham sua trajetória no Brasil.
“Não é onde você nasceu, é onde você quer chegar e, o mais importante, o quanto que você lutar para poder conseguir fazer essas mudanças na sua vida e na sociedade que vivemos. Se eu pude, você também pode”, afirmou.





