Especialista explica como noites mal dormidas podem prejudicar o coração

Dormir mal pode aumentar o risco de pressão alta, arritmia, infarto e AVC, segundo a fisioterapeuta do sono Luciane Zuffo. Em entrevista ao programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital, nesta terça-feira (29/9), ela explicou como ronco, despertares frequentes e apneia prejudicam o funcionamento do sistema cardiovascular durante o sono.
“Pode acontecer de você desenvolver pressão alta”, afirmou.
Dormir 8 horas não garante qualidade
Zuffo destacou que cumprir as horas recomendadas de sono não é suficiente se houver despertares frequentes, sono superficial ou ronco constante. “Você realmente cumpriu o tempo de sono, mas não teve qualidade”, disse. Para a especialista, quantidade, qualidade e profundidade do sono precisam estar presentes juntas.
O que é a apneia do sono?
A especialista explicou que a apneia é um distúrbio em que a pessoa tem pausas na respiração durante o sono, podendo chegar a mais de 100 por noite. Cada pausa reduz a oxigenação e aciona um alerta no sistema nervoso central, obrigando o corpo a retomar a respiração.
Jovens e pessoas magras também podem ter apneia, de acordo com a fisioterapeuta, já que a doença tem causas neuromusculares e anatômicas. A prevalência é maior em homens a partir dos 45 anos e em mulheres na menopausa.
A fisioterapeuta afirmou que, entre pacientes com hipertensão de difícil controle, 70% têm apneia do sono. Entre os que têm insuficiência cardíaca, o percentual sobe para 80%.
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Tratamento pode reduzir medicação
De acordo com a Zuffo, o tratamento da apneia melhora a oxigenação durante o sono e reduz a sobrecarga do coração. Muitos pacientes hipertensos conseguem diminuir ou até suspender a medicação após o início do tratamento. Ela também citou melhora expressiva em casos de fibrilação atrial associados à apneia.
A apneia do sono é considerada uma doença crônica, semelhante à hipertensão, mas em alguns casos podem apresentar reversão completa com o tratamento contínuo.
Ronco também é sinal de alerta
Luciane Zuffo alertou que o ronco não deve ser tratado como normal. “É a ponta do iceberg”, disse, explicando que o barulho indica obstrução na passagem do ar e fragmenta o sono, o que também sobrecarrega o sistema cardiovascular. Segundo ela, quem dorme ao lado de uma pessoa que ronca também tem o sono prejudicado.
Para fechar, recomendou observar a qualidade do próprio sono como primeiro passo, seguido de avaliação diagnóstica e, se necessário, tratamento.





