Quando o corrimento vaginal deixa de ser normal? Ginecologista explica

Essas experiências são comuns para as mulheres: Em determinado dia, ela olhou a sua calcinha e percebeu uma cor diferente; ou sentiu um odor diferente ou uma coceira, e ficou preocupada. Esse sentimento é normal, pois o corrimento vaginal é um dos temas que mais gera buscas e ansiedade entre o público feminino.
No entanto, na maioria das vezes, essas secreções vaginais são normais, podendo variar tanto na intensidade quanto na coloração. Geralmente, o chamado corrimento é um processo natural de limpeza da vagina e se constitui num fluido essencial para a lubrificação, proteção e até para a fertilidade.
De forma geral, os corrimentos considerados normais são incolores ou levemente branco-amarelados e sem odor. Ele muda de aspecto ao longo do mês, acompanhando as variações hormonais do ciclo menstrual da mulher. Na fase pré-ovulatória, ele é esbranquiçado ou levemente amarelado e com textura mais cremosa. Já no período fértil, ele fica com o conhecido aspecto de “clara de ovo”, transparente e fluido. Na pós-ovulação ele volta a ficar mais espesso e opaco até a próxima menstruação.
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O fluido é aliado da mulher na manutenção da umidade e da proteção da barreira vaginal. Então, quais sinais denunciam quando esse processo natural sofre alteração? A Onda Digital falou sobre o assunto com a doutora Halime Abdalla, ginecologista e obstetra.

Diz a médica:
“O corrimento fisiológico normal de uma mulher é branco e pastoso. Ele é assim pela produção de lactobacilos, o que lembra leite, e eles são células de defesa. Então, ter aquele muco branco e pastoso é normal na vagina”.
Ela continuou:
“Agora, se esse corrimento adquirir um aspecto de queijo coalho, branco e com coceira, aí a gente já pensa em infecção por fungo, que normalmente é a famosa candidíase. Ela é a principal causa de corrimento com prurido, provoca coceira com vermelhidão na vagina, chegando a poder deixar fissuras”.
Prossegue a doutora:
“Já o amarelado, ele também precisa ser tratado, se vier com mau cheiro. Pacientes chegam a se queixar de cheiro de peixe podre, é Gardnerela vaginallis, uma bactéria, também precisa ser tratado”.
E finalmente, ela aponta:
“Já o corrimento acinzentado, bolhoso, que não tem cheiro e nem coça, também precisa prestar atenção. Geralmente a paciente se queixa de dor na relação sexual quando tá com esse corrimento. Nesse caso, já pensamos em algumas bactérias sexualmente transmissíveis, como tricomonas ou gonococo, a da gonorreia. Nesse caso é preciso tratar tanto a mulher quanto o seu parceiro. Os tratamentos para todas essas formas é geralmente feito com antibióticos, e em caso de dúvidas as mulheres têm que consultar seus ginecologistas e se manter em dia com seus preventivos”.
Tipos de corrimento na gravidez
Durante a gravidez, algumas mulheres podem apresentar uma secreção com coloração amarronzada, levemente espessa e sem cheiro durante a fecundação. Chamado de nidação, esse processo ocorre quando há a implantação do embrião dentro do útero. Acontece um pequeno sangramento uterino, que se mistura com a secreção vaginal.
Além disso, a gestante pode apresentar um corrimento claro ou esbranquiçado durante o segundo ou terceiro trimestre, o que indica aumento de hormônios no corpo, principalmente de estrogênio.
No entanto, qualquer corrimento esverdeado, amarelado, com cheiro forte ou que cause dor deve ser avaliado pelo médico.
Como diagnosticar?
Geralmente, o diagnóstico é realizado após uma consulta com um ginecologista. O especialista pode solicitar o Papanicolau, exame que também analisa o aspecto do corrimento, o odor e se há lesões na vagina.
Além disso, pode ser solicitado uma avaliação da secreção e citologia oncótica vaginal e de colo de útero para definir um diagnóstico. Por fim, exames de sangue podem ser feitos para descartar as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis).





