Cobrança para dar conta de tudo leva mulheres à exaustão, alerta psicóloga

A psicóloga Liege Menezes alertou para os sinais de esgotamento emocional em mulheres durante entrevista ao programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital, nesta quinta-feira (15/10). O tema da conversa foi “quando cuidar de todos faz você esquecer de si”.
Segundo a especialista, a sobrecarga feminina é cultural e faz com que muitas mulheres ignorem os próprios limites até adoecerem.
Alerta para sobrecarga feminina
Menezes explicou que a mulher é ensinada desde pequena a dar conta de diversos papéis com excelência. “Se você é uma mulher que diz que não sabe cozinhar, você não é bem vista. Se não sabe administrar a casa, mas é excelente profissional, também não é bem vista”, afirmou. Segundo ela, essa cobrança leva a um ciclo de culpa e exaustão.
A psicóloga listou os principais sinais de que algo não está bem. Entre eles estão irritabilidade, alteração de humor, ansiedade, insônia e sintomas físicos como queda de cabelo, enxaqueca e emagrecimento. “O corpo começa a dar sinais. Mas o que ela faz? Ignora”, disse.
Diferença entre cansaço e esgotamento
Para a especialista, a qualidade do sono é o principal indicador para diferenciar o cansaço normal do esgotamento emocional. “Se você deita e apaga, é cansaço. Agora, se deita e não consegue relaxar, se a mente não desliga, é porque algo de errado está sinalizando”, explicou.
Quando a mulher começa a precisar de medicação para dormir ou entra em crise de ansiedade, é sinal de que a sobrecarga já afeta a saúde, explica.
A psicóloga também relacionou o acúmulo de emoções não tratadas ao desenvolvimento de doenças. “As nossas emoções estão intrinsecamente ligadas ao nosso organismo. Quando não tratamos o emocional, deixamos de buscar cura”, afirmou.
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Autocuidado e rede de apoio
Liege Menezes defendeu que o autocuidado passa por se incluir na própria rotina. “Eu faço uma rotina cuidando de todo mundo e esqueço de me incluir. Esqueço de fazer minha atividade física, de ter um momento que seja meu”, disse.
Segundo ela, a atividade física é uma ferramenta importante para a saúde mental, pois libera endorfina e ajuda a desligar a mente.
Outro ponto destacado foi a necessidade de dividir tarefas e fortalecer a rede de apoio. “Quando dividimos os papéis, as responsabilidades, amenizamos o peso. A gente precisa educar os filhos para que eles também sejam responsáveis”, afirmou.
Por fim, apontou o autoconhecimento como o primeiro passo para mudar esse cenário. “É você perceber quando começa a ter alterações de humor, quando precisa se incluir na sua rotina. Uma hora aquilo que você ignora vai vir à tona, seja como adoecimento físico ou mental”, concluiu.





