Cabelo caindo? Especialista explica quando a queda é sinal de algo maior

Foto: Freepik
Queda de cabelo é um daqueles problemas que quase todo mundo já enfrentou ou vai enfrentar em algum momento da vida. Muita gente trata como um problema menor, passageiro. Porém, quando os fios começam a cair mais do que o normal, o motivo costuma ser mais complexo e ter relação com o que está acontecendo dentro do corpo.
Especialistas apontam que o cabelo funciona como uma espécie de termômetro da saúde geral: em momentos de estresse físico ou emocional, o organismo entra em modo de economia de energia e passa a priorizar o que é essencial para a sobrevivência. O crescimento dos fios fica em segundo plano e o resultado aparece algum tempo depois, quando o corpo já tentou se reorganizar.
João Gabriel Fernandes, tricologista especializado em queda e recuperação capilar e fundador da AnaGrow, explica:
“O cabelo é um tecido não essencial para a sobrevivência. Diante de um evento extremo, o organismo prioriza órgãos vitais e redistribui energia e nutrientes. O fio paga essa conta meses depois. O corpo entra em modo de sobrevivência. Preserva o essencial e suspende funções secundárias. O cabelo só responde quando esse ciclo se encerra, geralmente entre dois e quatro meses depois”.
Veja situações que podem aumentar a queda de cabelo
Covid, pós-parto e grandes cirurgias
Entre os gatilhos mais frequentes da queda capilar estão eventos que drenam intensamente as reservas do corpo. No pós-parto, por exemplo, a queda vai muito além da oscilação hormonal. A mulher perde ferro, zinco, proteínas e vitaminas e o cabelo sofre por isso.
No pós-Covid, estudos indicam que o impacto inflamatório sistêmico da infecção pode alterar o funcionamento do folículo capilar, mesmo em quadros considerados leves. O estresse metabólico e imunológico que ele impõe ao organismo também contribui.
Cirurgias de grande porte, especialmente as bariátricas, também figuram entre as causas mais relevantes. A rápida perda de peso, somada à redução na absorção de nutrientes, cria um ambiente propício para quedas intensas e afinamento progressivo dos fios.
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Estresse e traumas emocionais
O especialista explica que o estresse altera hormônios como o cortisol, compromete a circulação do couro cabeludo e mantém o organismo em estado inflamatório constante, afetando o ambiente onde o fio nasce.
Esse tipo de queda costuma ser mais difícil de identificar porque não está ligado a um evento único, mas a um desgaste contínuo, muitas vezes normalizado na rotina moderna.
Como identificar uma queda de cabelo anormal?
Uma queda considerada normal é aquela de, aproximadamente, 70 fios por dia. Mas quando o volume diminui, a risca do cabelo fica mais aberta, falhas visíveis aparecem ou quando a quantidade de fios no banho, na escova ou no travesseiro aumenta de forma clara, é hora de investigar.
Produtos “milagrosos” não dão conta. O segredo está no cuidado integral: alimentação, exames em dia, qualidade do sono e controle do estresse são fundamentais. Os protocolos mais eficazes combinam ajuste nutricional, controle inflamatório e estímulo do folículo.
E claro, é preciso ter paciência, pois o cabelo tem um crescimento lento e responde ao ritmo do organismo.
*Com informações de CNN Brasil






