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Oscar Schmidt: a trajetória do maior cestinha da história do basquete mundial

Ele não precisou da NBA para se tornar grande e essa escolha, por si só, já diz tudo sobre o jogador que Oscar foi
17/04/26 às 17:09h
Oscar Schmidt: a trajetória do maior cestinha da história do basquete mundial

Foto: Steven Senne / AP

Nesta sexta-feira (17/04), basquete brasileiro perdeu o maior ídolo. Oscar Schmidt, o Mão Santa, morreu aos 68 anos deixando para trás uma carreira de três décadas que redefiniu o esporte no país e encantou ginásios na Europa. Ele não precisou da NBA para se tornar grande e essa escolha, por si só, já diz tudo sobre o jogador que Oscar foi.

(Foto: Reprodução)

Os primeiros passos: Palmeiras e o título mundial pelo Sírio

A história começa nos anos 1970. Com apenas 16 anos, Oscar já vencia no Palmeiras, conquistando o título Paulista de 1974. Em 1977, viria o Campeonato Brasileiro pelo mesmo clube, e naquele mesmo ano ele seria eleito o melhor pivô do Sul-Americano Juvenil, passaporte direto para a Seleção principal.

No Sírio, o jovem Oscar encontrou o palco para seu primeiro grande feito coletivo. Em 1979, em um Ibirapuera lotado e em êxtase, o time paulista, comandado por Cláudio Mortari, com Marcelo Vido e Marquinhos Abdalla ao lado do Mão Santa, conquistou o título mundial. Era o início de uma lenda.

  • 30 anos de carreira
  • 46.726+: pontos na carreira
  • 5: olimpíadas disputadas
Time do Sírio da temporada de 1982 (Foto: Reprodução)

A Itália como segunda casa: 14 mil pontos e camisas aposentadas

Na década de 1980, Oscar cruzou o Atlântico e foi conquistar a liga italiana, então considerada uma das mais competitivas do mundo. Foram 11 anos de domínio europeu divididos entre JuveCaserta, onde ficou por oito temporadas, disputou mais de 200 jogos e ganhou uma Copa da Itália, e o Pavia, onde atuou por mais três anos.

Ele teve cerca de 14 mil pontos marcados em solo europeu e uma honra raríssima: ter a camisa aposentada nas duas equipes. Entre 1993 e 1995, ainda passou pelo Fórum de Valladolid, na Espanha.

Linha do tempo
  • 1970s: Palmeiras (Paulista 1974, Brasileiro 1977) e Sírio (Campeão Mundial 1979)
  • 1982: América do Rio de Janeiro
  • 1980s: JuveCaserta, Itália — 8 temporadas, Copa da Itália, camisa aposentada
  • 1990s: Pavia, Itália (3 anos) — camisa aposentada
  • 1993–95: Fórum de Valladolid, Espanha
  • 1995–96: Corinthians — Campeão Brasileiro 1996
  • 1997–98: Banco Bandeirantes
  • 1998–99: Mackenzie
  • 99-2003: Flamengo — 2 títulos estaduais e recorde mundial de pontos
Oscar Schimidt jogando pelo JuveCaserta nos anos 80 (Foto: ANSA/Reprodução/Instagram)

A polêmica do “não” à NBA

Em 1984, o New Jersey Nets escolheu Oscar Schmidt no draft da NBA. Era um convite para entrar na liga mais badalada do planeta e ele recusou. A decisão foi discutida por décadas: como um atleta podia abrir mão da NBA?

A resposta estava nas regras da época: atletas que assinassem com clubes da NBA ficavam impedidos de defender suas seleções nacionais. Para Oscar, jogar pela Seleção Brasileira pesava mais do que qualquer contrato milionário. Foi uma postura que o transformou em símbolo de lealdade ao Brasil.

Mas tarde, o homem que dispensou a NBA tenha, no fim da carreira, superado o maior cestinha da história da própria liga. Kareem Abdul-Jabbar, ex-jogador da NBA, detinha o recorde de 46.725 pontos na carreira profissional.

Oscar Schmidt jogando contra o Dream Team em 1992 – (Foto: Susan Ragan, The Associated Press)

A Seleção e os momentos olímpicos

Oscar disputou cinco Olimpíadas: Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996), tornando-se um dos atletas mais longevos da história nos Jogos. Em Moscou e LA, marcou 169 pontos em cada edição. Em Seul, foi o cestinha da competição com 338 pontos, número que até hoje impressiona.

Mas o pico da carreira na Seleção não veio em uma Olimpíada. Veio no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987. Na decisão contra os Estados Unidos, o Brasil promoveu uma das maiores viradas da história do esporte coletivo mundial e conquistou a medalha de ouro. Foi a primeira derrota americana em casa na história do basquete panamericano.

Equipe do Brasil comemora a vitória na final do basquete contra os Estados Unidos – Foto: Getty Images
Olimpíadas
  • Moscou 1980: 169 pontos — 5º lugar
  • Los Angeles 1984: 169 pontos
  • Seul 1988: 338 pontos — cestinha da competição
  • Barcelona 1992: Participação curta
  • Atlanta 1996: Última Olimpíada

O fim de carreira

Após uma passagem vitoriosa pelo Corinthians, onde foi campeão brasileiro em 1996, Oscar ainda vestiu as camisas do Banco Bandeirantes, do Mackenzie e encerrou a carreira no Flamengo. Com o Rubro-Negro do Rio, conquistou dois títulos estaduais e, no ato final de sua história, quebrou o recorde mundial de pontos em toda a carreira profissional superando Kareem Abdul-Jabbar.

Oscar jogando pelo Corinthians — (Foto: Divulgação/Corinthians)
Oscar Schmidt vestiu a camisa do Fla entre 1999 e 2003 (Foto: Reprodução/Site Oficial Oscar Schmidt)

Quando o Mão Santa tentou virar senador

Poucos sabem, mas Oscar Schmidt também tentou a vida política. Em 1998, candidatou-se ao Senado por São Paulo pelo PPB, partido do então polêmico ex-prefeito Paulo Maluf, que disputava o governo do estado.

Oscar obteve 5,7 milhões de votos, ficando em segundo lugar, atrás apenas de Eduardo Suplicy (PT), que se reelegeu com 6,7 milhões. O Mão Santa teve mais votos do que o próprio Maluf, seu cabo eleitoral, que somou 5,3 milhões. Nas carreatas da coligação, a população gritava o nome de Oscar  e só depois notava a presença de Maluf ao lado.

“Eu me arrependo, mas não pelo Maluf. Pela política. Que ambiente podre. Podre. Ninguém pensa no país.” , disse Oscar Schmidt, sobre a experiência política

Mesmo sem conquistar a vaga, Oscar manteve a lealdade a Maluf no segundo turno, acompanhando as carreatas da coligação.

Foto: Alexandre Vidal/CBB

Hall da Fama

Oscar Schmidt foi introduzido no Hall da Fama do Basquete, o Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, em reconhecimento a uma carreira sem precedentes. Em seu discurso emocionante, agradeceu ao Brasil, ao basquete e aos torcedores que o acompanharam por três décadas.

Oscar Schmidt no Hall da Fama — (Foto: Gabriel Fricke)