Crise na Copa do Mundo? Países-sedes se envolvem em guerras e problemas internos

(Foto: Montagem/Rede Onda Digital)
A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas o cenário dos países-sedes não é nada bom. Em poucos meses, EUA e México, dois dos três países-sedes do Mundial, foram colocados no centro de episódios graves envolvendo operações militares, endurecimento migratório e violência ligada ao narcotráfico. No Oriente Médio, a escalada entre EUA/Israel e Irã adiciona um risco extra: o futebol pode ser arrastado para o tabuleiro da geopolítica.
Linha do tempo dos fatos que aumentam a pressão sobre a Fifa
Janeiro de 2026: Os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro em Caracas durante uma operação militar, conforme registros e análises oficiais e internacionais sobre o episódio e suas implicações diplomáticas.

Janeiro de 2026: Ações no estado de Minnesota que se transformou no epicentro da ofensiva de Donald Trump contra a imigração.
As batidas começaram no início de dezembro e se intensificaram a partir de 6 de janeiro, quando o governo americano destacou mais de 2 mil agentes federais para a cidade de Minneapolis, na “maior operação até hoje”, segundo o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês).

Fevereiro de 2026: O México confirmou a morte de “El Mencho”, líder do CJNG, em uma operação militar. A Reuters registrou onda de retaliações e violência em diferentes regiões do país após a ação.

Março de 2026: A imprensa internacional noticiou a morte do aiatolá Ali Khamenei em ataques atribuídos a uma campanha conjunta de EUA e Israel, começando uma guerra entre os países e ampliando o risco de novos ataques.

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Por que isso impacta a Copa do Mundo de 2026
A Copa será a primeira com jogos em três países-sede (EUA, México e Canadá) e com 48 seleções, o que torna qualquer crise política um fator direto de logística e segurança. Com a guerra envolvendo o Irã, a própria Reuters publicou um “explainer” apontando que a participação do Irã e a realização de jogos em território dos EUA entram em zona sensível, com pressão por alternativas para reduzir risco e tensão diplomática.
Com ações e endurecimento do ambiente migratório, o Mundial pode enfrentar mais burocracia, triagens e restrições para torcedores, imprensa e delegações, especialmente em deslocamentos entre sedes.
Após a morte de “El Mencho” e a onda de violência registrada, o México tende a operar o evento com nível de segurança elevado para repescagem que será realizada em área de conflito. A repescagem mundial está marcado para acontecer em Guadajara, no estado de Jalisco, local da investida do exército mexicano contra o cartel de El Mencho.
“A salvação para a Copa”
Para salvar a Copa, Fifa precisa levar jogos do Irã para fora dos EUA. A Rússia, por exemplo, está suspensa pela Fifa desde fevereiro de 2022. Por isso, não participou da repescagem europeia das eliminatórias do Qatar, para qual estava classificada, e nem do qualificatório para o Mundial deste ano.
Embora ainda não existam posicionamentos oficiais sobre uma possível saída do Irã da Copa-2026, o cenário sobre a participação da seleção asiática no torneio é bastante complicado.
O próprio presidente da federação local de futebol, Mehdi Taj, falou após os ataques norte-americanos iniciados no último sábado que é ” é improvável que possamos olhar com esperança para a Copa do Mundo.”
O Irã está no Grupo G e tem todo o seu caminho no Mundial marcado para cidades dos EUA, justamente seu inimigo nesta guerra. Na primeira fase, joga duas vezes na região de Los Angeles (contra Nova Zelândia e Bélgica) e depois vai a Seattle encarar o Egito. Caso avance os mata-matas, continuará em território norte-americano até a decisão do título.

A Copa já tem data
O torneio começa em 11 de junho de 2026, com México x África do Sul no Azteca, e a final está marcada para 19 de julho, em Nova Jersey.
Com o calendário fechado e conflitos pelo mundo, a Fifa pode ser forçada a agir para impedir que a maior Copa da história seja contaminada por crises fora do campo, incluindo, no limite, mudanças de sedes e reforço de protocolos de segurança.





