Terror extremo: conheça cinco filmes do cinema de horror underground

(Foto: divulgação)
O gênero de terror é um dos mais populares e, ao mesmo tempo, mais polêmicos do cinema. Quanto mais fundo se explora esse universo, mais perturbadoras podem ser as obras, muitas delas consideradas extremas pelo conteúdo apresentado.
Este artigo reúne três filmes que definitivamente não são recomendados para quem tem estômago fraco ou é sensível a gatilhos psicológicos. Diferente de títulos populares como Sexta-Feira 13, Brinquedo Assassino ou O Exorcista, as produções citadas mergulham no terror independente e em visões muito mais sombrias e desconfortáveis.
Black Metal Veins

Black Metal Veins é um documentário underground dirigido por Lucifer Valentine que ficou conhecido pelo retrato cru de jovens ligados à cena black metal e ao uso extremo de drogas. O filme acompanha um grupo de jovens vivendo à margem da sociedade, em ambientes marcados por abandono, violência e dependência química em heroína. Sem roteiro tradicional, a produção registra momentos do cotidiano dessas pessoas, mostrando como a música funciona mais como pano de fundo do que como caminho de salvação.

Black Metal Veins causa repulsa no telespectador pelo uso de cenas reais de consumo de drogas pesadas, automutilação e colapso físico e emocional. Os filmes de Lucifer Valentine são conhecidos por usar o máximo possível de cenas realistas, sem encenação nem filtros narrativos, o que transforma o documentário em uma experiência difícil de assistir.
O filme foi proibido ou removido de diversas plataformas e festivais devido ao seu conteúdo explícito. Discussões sobre as situações as quais o elenco é submetido nas filmagens também foram amplamente divulgadas em fóruns de internet. Mas ao mesmo tempo, Black Metal Veins é visto como uma mensagem sobre a degradação devido ao uso de heroína e as consequências do uso da droga.
Nekromantik

Nekromantik é um filme alemão de terror underground lançado em 1987 e dirigido por Jörg Buttgereit. A produção ganhou fama internacional por seu conteúdo extremo e pelas polêmicas que gerou. O enredo acompanha Robert Schmadtke, um funcionário de uma empresa de remoção de corpos, que leva um cadáver para casa com o intuito de apimentar a relação com a sua namorada, Betty, que passa a se envolver emocionalmente e carnalmente com o corpo.
Nekromantik se tornou conhecido por abordar temas tabu de forma direta e sem suavizações, o que causou forte repulsa no público e na crítica. O filme foi banido em vários países e frequentemente descrito como perturbador não apenas pelas imagens, mas pela frieza com que trata assuntos ligados à morte, ao isolamento emocional e à alienação.

Apesar da rejeição inicial, o longa ganhou status cult entre fãs do cinema underground e do horror extremo. Filmado com baixo orçamento, Nekromantik foi defendido por seu diretor como uma crítica à romantização da violência e à indiferença social diante da morte.
A Serbian Film (Terror sem Limites)

A Serbian Film, que ficou conhecido no Brasil pelo nome Terror Sem Limites, é um longa sérvio dirigido por Srđan Spasojević que ganhou notoriedade mundial por seu conteúdo extremamente perturbador envolvendo uma cena de um bebê. O filme acompanha Milos, um ex-ator pornô que vive dificuldades financeiras após abandonar a indústria. Ele aceita a proposta de fazer um filme experimental de um diretor desconhecido e acaba descobrindo que será parte de um filme de terror psicológico.

A Serbian Film ficou conhecido por retratar violência explícita, abuso psicológico e temas considerados tabu de forma direta e perturbadora. O filme apresenta cenas explicitas de sexo, seguidas de assassinatos e necrofilia. Uma das cenas mais marcantes e polêmicas envolve o abuso sexual de um bebê recém-nascido e cenas de incesto extremamente violentas.
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O longa foi proibido ou censurado em diversos países e gerou debates sobre os limites da liberdade artística. O diretor chegou a afirmar que o filme é uma crítica aos crimes de guerra ocorridos da Sérvia. Mesmo assim, o filme foi extremamente criticado e expulso de diversos festivais de cinema do mundo, entre eles o de Cannes, onde seria exibido em 2011.
Irreversível

Irreversível é um filme francês dirigido por Gaspar Noé e lançado em 2002, que se tornou referência por apresentar uma das cenas de estupro mais intensas já feitas em um filme. A trama acompanha Marcus e Pierre em uma jornada violenta por Paris após um crime brutal cometido contra Alex, companheira de Marcus. A narrativa é apresentada em ordem cronológica inversa, começando pelas consequências e retrocedendo até os momentos felizes do casal.
Irreversível ficou mundialmente conhecido por uma longa cena de violência sexual, filmada sem cortes aparentes, que causou choque, e fez pessoas abandonarem o cinema. A sequência é considerada uma das mais perturbadoras da história do cinema, justamente por sua duração, que chega a 9 minutos, com muito realismo e pela forma crua como é apresentada, sem trilha emocional ou alívio narrativo. Outra cena marcante mostra uma briga de um bar, onde um dos protagonistas esmagam a cabeça de um homem com um extintor de incêndio.

Além da estrutura invertida, o filme usa câmeras instáveis, iluminação agressiva e sons de baixa frequência quase imperceptíveis, criados para provocar mal-estar físico no espectador. Essas escolhas tornaram Irreversível uma experiência sensorial extrema. O recurso da cronologia inversa reforça a ideia central do filme: o tempo destrói tudo e nada pode ser desfeito.
Melancholie der Engel

Melancholie der Engel é um filme alemão de 2009 dirigido por Marian Dora, conhecido por seu conteúdo extremo e por figurar em listas das produções mais perturbadoras do cinema. O filme acompanha diferentes personagens ligados por relações abusivas, isolamento e sofrimento emocional.
O ponto mais criticado do filme é que não há uma história linear clara. A narrativa apenas mostra o encontro de dois velhos amigos, um deles em estado depressivo, que resolvem passar um fim de semana em uma cabana com cinco mulheres, duas delas desconhecidas. No entanto, nessa cabana, distante de tudo, os amigos promovem festas bizarras, que se propõem a pratica atos extremamente violentos e perturbadores contra as vítimas, sem uma motivação clara.

Um dos aspectos mais perturbadores do longa é o uso recorrente de cenas gráficas envolvendo violência física, sexualidade extrema e práticas degradantes e escatológicas. Com frequência o filme usa cenas de tortura e violência animal. Em fóruns como o Reddit, muitos usuários afirmam que as cenas de sacrifício animal são reais, dado o orçamento extremamente baixo do filme. Devido a sua violência gratuita extrema. Melancholie der Engel é considerado um dos filmes mais desnecessários e violentos já feitos.






