Eleitor perde interesse em candidato moderado à presidência, aponta pesquisa

A possibilidade de um candidato moderado, que não seja associado nem a Lula nem à família Bolsonaro, perdeu força entre os eleitores ao longo dos últimos meses. É o que mostra a nova pesquisa Meio/Ideia, divulgada em setembro, que aponta queda de 25,2% para 11,4% na parcela dos entrevistados que considera melhor para o Brasil a vitória de um nome moderado.
A retração representa uma perda de 13,8 pontos percentuais em cerca de dois meses. Em julho, um em cada quatro entrevistados defendia essa alternativa. Agora, pouco mais de um em cada dez mantém essa preferência.
No mesmo período, cresceram as preferências pelas duas forças que dominam a disputa presidencial. Em setembro, 40,4% dos entrevistados disseram considerar melhor para o Brasil uma nova vitória de Lula, enquanto 38,5% escolheram o retorno da família Bolsonaro. A opção por um candidato de fora da política ficou em 7,8%, segundo o levantamento.
O eleitor está se concentrando nos dois polos
A evolução apresentada pelo levantamento mostra uma mudança importante no equilíbrio da preferência eleitoral. Em julho, a escolha por um candidato moderado aparecia com 25,2%, enquanto Lula tinha 35,5% e a família Bolsonaro, 25,3%.
Em agosto, o grupo moderado caiu para 19,1%. No mesmo período, Lula passou a 28,1% e a família Bolsonaro, a 26,8%. Já em setembro, a preferência por um nome moderado recuou novamente, chegando a 11,4%, enquanto Lula subiu para 40,4% e a família Bolsonaro, para 38,5%.
A pesquisa registra, portanto, uma redução contínua do espaço ocupado por quem rejeita os dois polos, ao mesmo tempo em que aumenta a preferência por um dos lados da disputa.
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Queda não significa migração direta para Lula ou Bolsonaro
Os números não permitem afirmar, por si só, que os eleitores que abandonaram a alternativa moderada tenham migrado diretamente para Lula ou para a família Bolsonaro. A pergunta utilizada pelo levantamento mede qual resultado seria considerado melhor para o país, e não acompanha individualmente a trajetória de cada entrevistado entre uma rodada e outra.
Ainda assim, o movimento ajuda a dimensionar o espaço cada vez menor para uma candidatura apresentada como alternativa aos dois principais campos políticos. O próprio levantamento descreve o cenário atual como de forte concentração entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, que aparecem empatados nas intenções estimuladas de primeiro turno e também de segundo turno.
Terceira via perde espaço na reta final
A mudança ocorre a poucas semanas da votação e em um cenário de forte polarização. A pesquisa foi realizada entre 4 e 7 de setembro, com 1.500 entrevistas por telefone, margem de erro de 2,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada sob o protocolo BR-07935/2026-BRASIL no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O retrato apresentado pelo Meio/Ideia sugere que a eleição chega à reta final com menos espaço para uma alternativa intermediária. O eleitor que, meses atrás, apontava um candidato moderado como melhor saída para o país aparece agora mais concentrado entre as duas forças políticas que estruturam a disputa presidencial.







