Tarifas dos EUA podem elevar imposto sobre produtos brasileiros a 37,5%, diz estudo

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos poderá enfrentar tarifas de até 37,5% caso novas medidas comerciais propostas pelo governo norte-americano sejam implementadas.
Segundo a projeção, 31,6% dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA deixariam de pagar a tarifa atual de 10% para serem taxados em 37,5%. Outros 3,6% das exportações teriam alíquota de 12,5%, acima dos atuais 10%. Ao todo, 35,2% dos embarques brasileiros seriam afetados pelas novas cobranças.
As medidas foram propostas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), após uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais ao comércio com empresas americanas. Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos PIX, políticas ambientais, pirataria, regulação de redes sociais e ações de combate à corrupção.
O governo dos EUA propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, mas criou exceções para itens estratégicos, como carne bovina, café, frutas, aeronaves e minerais de terras raras. Paralelamente, outra investigação relacionada ao combate ao trabalho forçado prevê sobretaxa de 12,5% para determinados produtos.
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Quando as duas tarifas forem aplicadas simultaneamente, a alíquota total poderá chegar a 37,5%. Produtos como ferro-gusa, açúcar de cana sólido, sebo não comestível, álcool etílico e molduras de madeira estão entre os mais impactados. No caso do ferro-gusa, um dos principais itens exportados pelo Brasil aos EUA, a taxa passaria de 10% para 37,5%.
As medidas ainda não estão em vigor. Antes de uma decisão final, a proposta passará por consulta pública e audiências conduzidas pelas autoridades americanas.
Enquanto isso, o governo brasileiro tenta negociar uma saída diplomática. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que participa da reunião do G7 na França, trabalha com a possibilidade de um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o tema.
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo utilizado para apurar práticas consideradas desleais e que já serviu de base para tarifas impostas à China em disputas comerciais anteriores.
(*)Com informações do G1





