Inflação sobe 0,16% em junho, menor alta desde outubro

A inflação oficial do Brasil perdeu força em junho e ficou abaixo das expectativas do mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% no mês, após alta de 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10).
O resultado veio abaixo da projeção de analistas consultados pela Reuters, que esperavam avanço de 0,31%. Trata-se da menor variação mensal do índice desde outubro do ano passado, quando o IPCA havia registrado alta de 0,09%.
Com o resultado de junho, a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,72% para 4,64%. Apesar da desaceleração, o índice continua acima da meta contínua de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Queda dos alimentos ajudou a conter a inflação
O principal fator para a desaceleração do IPCA foi o recuo nos preços do grupo Alimentação e Bebidas, que caiu 0,24% em junho, após alta de 1,33% em maio. O segmento teve o maior impacto negativo sobre o índice do mês.
A alimentação no domicílio apresentou queda de 0,39%, influenciada principalmente pela redução dos preços de café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%).
Por outro lado, alguns produtos registraram alta, como o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%).
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Habitação teve maior impacto positivo
Na direção contrária, o grupo Habitação apresentou a maior variação do mês, com alta de 0,63%, embora tenha desacelerado em relação aos 1,22% registrados em maio.
O principal responsável pelo resultado foi a energia elétrica residencial, que subiu 1,53% em junho. Apesar da alta menor que a observada no mês anterior, de 3,67%, a conta de luz exerceu o maior impacto individual sobre o IPCA.
Durante junho, permaneceu em vigor a bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Passagens aéreas sobem e combustíveis recuam
O grupo Transportes voltou a registrar inflação em junho, passando de uma queda de 0,46% em maio para alta de 0,17%.
O movimento foi influenciado principalmente pelo aumento de 7,12% nas passagens aéreas. Em contrapartida, os combustíveis ficaram mais baratos no mês: etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).
Serviços também desaceleram
A inflação de serviços também mostrou perda de ritmo. O segmento avançou 0,34% em junho, após alta de 0,40% em maio, acumulando elevação de 5,90% nos últimos 12 meses.
Outro indicador acompanhado pelo mercado, o índice de difusão, que mede o percentual de produtos e serviços com aumento de preços, caiu de 65% para 54%, sinalizando uma desaceleração mais disseminada da inflação.
Cenário segue sob monitoramento
Apesar do resultado mais favorável em junho, fatores externos e internos continuam no radar das autoridades econômicas. Entre eles estão os impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e os possíveis efeitos de eventos climáticos, como o El Niño, na produção de alimentos.
Na quinta-feira (9), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a decisão do governo sobre uma possível mudança na política de subsídios da gasolina foi adiada para a próxima semana em razão do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Em junho, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e indicou que poderá alternar períodos de pausa e novos cortes para conduzir a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028.
Segundo a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, a expectativa do mercado é de inflação de 5,30% em 2026 e de 4,18% em 2027.




