Fim da escala 6×1 pode elevar custos na Zona Franca de Manaus, alerta economista

A aprovação do fim da escala 6×1 pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27) deve provocar mudanças profundas na rotina do Polo Industrial de Manaus (PIM), principal motor econômico da Zona Franca de Manaus (ZFM).
Enquanto sindicatos defendem ganhos na qualidade de vida e produtividade dos trabalhadores, empresários alertam para aumento de custos e risco de perda de competitividade do modelo industrial amazonense.
A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais, além garantir dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
Na prática, a medida será aplicada em duas etapas: 60 dias após a promulgação, a jornada cai de 44 para 42 horas semanais; 14 meses depois, o limite passa para 40 horas semanais. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado antes de seguir para sanção presidencial.
No Polo Industrial de Manaus, que reúne centenas de fábricas e emprega mais de 129 mil trabalhadores, a mudança é vista com preocupação pelo setor produtivo e com expectativa positiva pelos sindicatos.
Em entrevista à Rede Onda Digital, o economista Altamir Cordeiro afirmou que a medida pode trazer impactos significativos para a indústria amazonense, principalmente devido ao modelo de produção adotado pelas empresas do polo.

Segundo ele, boa parte das fábricas opera em sistema “just-in-time”, com produção contínua e forte dependência de turnos ininterruptos. Com a redução da jornada semanal, empresas poderão precisar contratar mais funcionários para manter o ritmo de produção, aumentando custos operacionais, encargos e despesas com folha de pagamento.
“A indústria local opera sob o modelo “just-in-time” e depende de turnos contínuos. A redução drástica da jornada pode exigir a contratação de mais funcionários para cobrir os postos vagos, aumentando a folha de pagamento e os custos indiretos”, disse.
O especialista também destacou preocupação com a competitividade da Zona Franca frente a outros polos industriais internacionais. Isso porque o aumento do custo da hora trabalhada pode influenciar decisões de investimentos e produção de multinacionais instaladas em Manaus.
“O custo da hora trabalhada pode subir. Isso pode afetar a atratividade do PIM, que disputa investimentos com plantas internacionais onde as regras trabalhistas e a cadeia de suprimentos são diferentes”, avaliou.
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Por outro lado, sindicatos e defensores da proposta afirmam que a mudança pode trazer benefícios diretos aos trabalhadores, como redução do desgaste físico, melhora da saúde mental, diminuição de acidentes de trabalho e maior tempo de convivência familiar.
Outro desafio apontado por Cordeiro é a necessidade de revisão dos sistemas de turnos e contratos coletivos nas indústrias, o que exige negociação entre empresas e trabalhadores para adaptação às novas regras.
“As empresas precisarão reformular o sistema de revezamento de funcionários, exigindo ajustes profundos nos contratos coletivos de trabalho. Com a aprovação em dois turnos na Câmara Federal, cabe ao senador fazer os ajustes ou aprovar sem alterações a PEC. Importante é evitar impactos negativos aos trabalhadores e também para os empresários que terão que se adaptar às novas regras”, concluiu o economista.
A proposta foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e segue agora para análise do Senado, que poderá manter ou modificar o texto antes da sanção presidencial de Lula.





