Acordo União Europeia – Mercosul abrirá oportunidades de negócios para empresas do Amazonas

Sede da Comissão Econômica da União Europeia (Foto: Thierry Monasse/ Imagens Getty).
Os parlamentos dos países integrantes da União Europeia iniciam, a partir desta semana, o processo de referendo do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, a última etapa para a entrada em vigor do maior acordo comercial do mundo, que reúne um mercado de aproximadamente 780 milhões de consumidores e promete redefinir o fluxo de comércio entre os dois blocos. Atualmente, apenas a França promete impor restrições ao acordo, negociado há pelo menos 20 anos.
No Amazonas, o bionegócio aparece como principal beneficiário do acordo, que promete diversificar a pauta de exportações em direção ao mercado europeu. Produtos como castanha-do-Brasil, açaí, guaraná, óleos vegetais e pescados já apresentam demanda no bloco e ganham relevância com a abertura comercial.
Para aproveitar as oportunidades, empresas amazonenses têm buscado certificações ambientais e sanitárias, além de adequação às regras de origem e rastreabilidade exigidas pela União Europeia no âmbito do acordo.
Atualmente o volume de exportações desse segmento é reduzido, mas o potencial de crescimento é significativo. O setor de cosméticos naturais, que utiliza insumos da floresta amazônica, também identifica oportunidades de fornecimento para a indústria europeia.
Óleos essenciais, como a essência do óleo de pau-rosa, utilizado como fixador do famoso perfume Chanel Nº 5, além de extratos e manteigas vegetais, integram uma lista de produtos com potencial para entrar em operações comerciais específicas de perfumaria e cuidados pessoais com maior intensidade após a implementação do acordo.
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Setor industrial também vê possibilidades no acordo
Outro segmento atento às mudanças é a indústria de plásticos e embalagens, que mantém produção em larga escala no Polo Industrial de Manaus (PIM). Parte desse material já integra cadeias internacionais de suprimento, mas a ampliação das vendas para a Europa dependerá de ganhos logísticos e de competitividade de custos.
“O acordo é bom e abrirá o mercado europeu para nossos produtos, mas precisamos ver o que eles têm para entrar no nosso mercado”, alertou o presidente da Eletros, José Jorge Júnior.
Empresas do polo industrial também avaliam oportunidades no setor de energias renováveis. A produção de painéis solares e baterias em Manaus pode atender fabricantes e distribuidores europeus que buscam diversificar fornecedores fora do continente.
Por outro lado, o acordo também impõe desafios à economia brasileira. Com a abertura do mercado, empresas europeias poderão ampliar sua presença em setores hoje protegidos ou com nichos consolidados no país, como compras governamentais, medicamentos — com exceção dos genéricos —, equipamentos hospitalares e obras públicas. Nessas áreas, a competitividade tende a aumentar, impulsionada pelo elevado nível tecnológico e pela expertise da engenharia europeia.
O setor de máquinas e equipamentos, um nicho importante da economia brasileira, também oferece aos países europeus, principalmente a Alemanha, grandes possibilidades de negócios, hoje travados por conta dos preços praticados por empresas chinesas que atuam neste setor. Com o acordo, máquinas e equipamentos europeus chegarão com preços competitivos frente aos chineses.






