Relato de Michelle encurrala pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, aponta AtlasIntel

O racha interno na família Bolsonaro ganhou novos contornos estatísticos para as pretensões eleitorais do clã. A mais recente pesquisa nacional realizada pelo instituto Atlas Intel, em parceria com a Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (2), confirmou que a exposição pública das divergências políticas e pessoais entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu uma crise de imagem.
O estopim, provocado por um vídeo publicado por Michelle relatando episódios de desrespeito, fragilizou diretamente a estrutura de apoio ao parlamentar.
De acordo com os dados, a exposição do desentendimento familiar cobra um preço político imediato: 64,1% dos entrevistados que assistiram ao material afirmam categoricamente que o episódio enfraquece a candidatura de Flávio.
Em contrapartida, apenas 22,4% acreditam que a polêmica não afeta o cenário político, enquanto uma minoria de 9% enxerga que a crise pode fortalecê-lo de alguma forma.

O paradoxo do capital político de Michelle
O impacto da crise é amplificado pelo peso eleitoral que Michelle Bolsonaro detém atualmente. O levantamento revelou que, para 55% dos brasileiros, o apoio ativo da ex-primeira-dama é classificado como “importante” ou “muito importante” para a sustentação de qualquer campanha liderada por Flávio.
Apenas 28% avaliam a influência dela como pouca ou nenhuma, enquanto quase 17% permanecem indecisos.

O dado evidencia uma “sinuca de bico” para o senador: ao mesmo tempo em que precisa do aval político e do apelo de Michelle junto ao eleitorado conservador para consolidar suas pretensões, sua viabilidade é diretamente solapada pelas críticas públicas desferidas por ela.
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Racha na base bolsonarista e a blindagem familiar
O aspecto mais revelador da pesquisa Atlas reside na divisão ideológica provocada pelo conflito. Quando questionados sobre a decisão de Michelle de publicar o vídeo desabafando sobre as fricções com o enteado, a maioria da população geral (51%) manifestou concordância com a atitude de transparência da ex-primeira-dama.
Contudo, a dinâmica se inverte drasticamente quando o foco se fecha exclusivamente nos eleitores declarados de Jair Bolsonaro.
Dentro deste nicho, expressivos 65% desaprovam a atitude de Michelle, indicando que a base partidária prefere o silêncio e a coesão interna à exposição pública de feridas familiares.

O fator da humilhação
A divisão fica ainda mais nítida quando medida a credibilidade do relato de Michelle, que afirmou ter sido “desrespeitada e humilhada” pelo enteado:
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No eleitorado geral (entre quem assistiu): a maioria (59,6%) toma o partido de Michelle e afirma acreditar em seu relato.
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No eleitorado de Jair Bolsonaro: o cenário se inverte por completo. 54,6% dos apoiadores do ex-presidente dizem não acreditar nas palavras de Michelle, enquanto apenas 29,9% dão crédito à ex-primeira-dama.

A pesquisa foi realizada entre os dias 26 e 30 de junho de 2026. O levantamento contou com uma amostra de 4.999 eleitores entrevistados em todo o território nacional.
A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04582/2026.





