A campanha eleitoral começou. O que dizem os primeiros vídeos dos candidatos ao Governo

Nas primeiras horas da madrugada deste domingo (16/8), muitas pessoas foram acordadas ao som de fogos de artifício e de paredões de som automotivo tocando “no talo” o jingle dos candidatos. Quem conseguiu voltar a dormir tinha uma certeza: a campanha eleitoral havia começado!
Isso ficou evidente já pela manhã. Bastava rolar o feed no celular para ver dezenas de posts de políticos. Mas como será que os sete candidatos que registraram suas candidaturas começaram suas campanhas?
Seguindo a ordem das últimas pesquisas eleitorais, passamos a analisar os vídeos que deram o start nas campanhas ao Governo com o olhar clássico do marketing eleitoral, segundo o qual, nas redes sociais, a campanha deve começar com um vídeo marcante e com apelo emocional, com a história do candidato e a visão macro do seu governo para o Estado.
Mas será que os candidatos seguiram esse caminho ou foram disruptivos?
Omar “para tudo transformar”
O vídeo que abre a campanha de Omar Aziz (PSD) começa com uma cadeira estilo vitoriano com a nova bandeira do Amazonas sobre ela e a ponte do Rio Negro ao fundo. A cadeira é uma alusão ao local onde fica o governador do Amazonas.
Ao som de um jingle em formato de toada, a cadeira aparece em locais populares de Manaus, como a balsa amarela, a feira da banana e o largo de São Sebastião. E, nela, o povo senta, sobe. A mensagem é clara: a população é quem governará em um futuro governo de Omar.
Além da mensagem visual, a letra do jingle comunica que a campanha de Omar será “o encontro do povo com quem sabe escutar”. A música reforça a visão macro para um eventual governo do candidato do PSD. Nela são citadas as frases “tudo transformar”, “olhos no futuro e o povo no coração” e “mudança com segurança”.
O vídeo termina com a cadeira sendo levada por uma pessoa do povo para dentro do Palacete Provincial, antiga sede do Governo e local histórico onde acontece a passagem de governo. Entendedores entenderão.
“Bora, Cidade 44”
Talvez por estar recente na cadeira de governador do Amazonas, o candidato à reeleição Cidade — e não mais Roberto Cidade — optou por lançar sua campanha nas redes sociais com um vídeo curto, já utilizando um jingle chiclete. Ao som do batidão “Bora, Cidade 44”, o candidato da federação União Progressista começou a corrida eleitoral sem apresentar qual será sua mensagem macro para o Estado, nem contar sua trajetória e história de vida que, aliás, é uma verdadeira “saga do herói” — o menino pobre que trabalhava na feira com os pais, estuda, vira político e se torna o homem mais poderoso do seu Estado enquanto governador. E tudo isso deixou de ser usado no primeiro vídeo da campanha.
Claro que ainda há tempo de exibir essa peça eleitoral, mas o “Bora, bora, Cidade 44”, mesmo sendo chiclete, pecou por trazer a imagem de Cidade apenas uma vez. O vídeo é claramente voltado ao eleitor mais jovem, tanto que o elenco é formado majoritariamente por pessoas dessa faixa etária, com camisas escritas “Juventude Cidade”.
Em relação à letra da música, por se tratar de um jingle chiclete, a ideia é dizer menos e comunicar mais; por isso, além de “Bora, Cidade 44”, as duas expressões mais repetidas são “o futuro é agora” e “o futuro não demora”.
Cidade foi disruptivo ao abrir sua campanha. Vamos ver como será o caminho até a eleição.
Professora Maria: “a força do rio”
O primeiro vídeo da campanha da Professora Maria — e não mais Maria do Carmo, como vinha sendo adotado na pré-campanha — errou ao usar o formato horizontal, que obriga as pessoas a virarem o celular. Pode parecer besteira, mas quem usa o Instagram não gosta de virar o celular — tanto que a ferramenta lançou um formato de feed na horizontal, como bem usou Wilson Lima (União Brasil) ao lançar sua campanha ao Senado.
Mas quem virou o celular de lado assistiu a uma primazia do marketing eleitoral: o jingle começa com o som suave e emotivo de um acordeon, enaltecendo as batalhas que ela precisou enfrentar para chegar até aqui. A Professora Maria se descreve, na letra da música, como “a força do rio que não deixa de chegar ao destino, mesmo com as barreiras que tentam atrapalhar”.
O vídeo segue reforçando o mote da campanha da candidata do PL, de que ela é a “vontade e esperança” do povo para “mudar” os rumos do Estado. Mensagem que é reforçada com a narrativa de sua história de vida, mostrando-a como alguém simples que venceu na vida, que veio do povo, virou professora e agora foi chamada pelo povo para governar o Amazonas — numa tentativa de se conectar com o público que ainda não a conhece direito. E, sem esquecer de seu público, os eleitores de direita, ela cita a fé e mostra a bandeira do Brasil, fortes elementos de conexão com eles.
Do ponto de vista do marketing eleitoral, o vídeo está redondinho. Resta saber se somente o marketing será capaz de fazê-la chegar ao segundo turno.
“Eu ouvi um chamado”
Seguindo a linha de disrupção em relação aos tradicionais vídeos de lançamento de campanha — como fez o candidato Cidade —, David Almeida (Avante) lançou sua campanha nas redes sociais com um vídeo “metendo o pé na porta” da gestão do atual grupo político que governa o Estado.
Ele começou a corrida eleitoral chamando o povo para despertar para os problemas que o Amazonas tem enfrentado nos últimos anos, colocando sua administração à frente da prefeitura de Manaus como o modelo de gestão que o Estado deveria ter nos próximos quatro anos.
O vídeo traz recortes de reportagens de veículos de comunicação do Estado apontando problemas em áreas como educação e saúde. Mas um ponto do vídeo foi, no mínimo, curioso: David aponta a falta de água nas torneiras como um problema do Governo do Estado, quando, na verdade, não é. A concessão, pelo menos em Manaus, é feita pelo município — ou seja, pela prefeitura que ele comandava até abril.
A peça de abertura da campanha é toda narrada em primeira pessoa pelo próprio David e tem um tom messiânico, de quem “ouviu o chamado” do povo do Amazonas, do povo que “espera atendimento”, do povo que “tem medo de sair de casa à noite” ou “quer só trabalhar e cuidar da família com dignidade”. E, para não soar tão arrogante nessa posição messiânica, o vídeo logo coloca o candidato do Avante não acima, mas ao lado do povo, como um igual.
O vídeo termina com David caminhando ao lado de sua candidata a vice, Shádia Fraxe — aliás, foi o único candidato que destacou o vice — conclamando o povo a acordar e votar em David 70. Foi, também, o único que pediu voto diretamente logo na largada da campanha, contrariando o que diz o marketing eleitoral tradicional, segundo o qual esse não é o momento de pedir voto.
Munduruku, Daciolo e Gilberto
Nenhum dos três candidatos minoritários nas pesquisas — Isael Munduruku (PSOL-Rede), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Gilberto Vasconcelos (PSTU) — divulgou vídeo lançando sua respectiva campanha nas redes sociais.





