Vice não é figurante: entenda seu peso na eleição

Uma das principais escolhas que um candidato ao Governo do Amazonas precisa fazer é o nome do vice na chapa, e é nesse momento que entram em jogo três perguntas centrais: o vice agrega votos? O vice dá prestígio à chapa? O vice tem trabalho a apresentar? No melhor dos cenários, o vice ideal responde sim às três questões.
De um modo geral, a missão do vice é protocolar: substituir o títular em suas ausências ou impedimentos. No Amazonas, contudo, poucos foram os vices que se contentaram com este papel de representar o titular em cerimônias e eventos, receber autoridades estrangeiras e esperar sentado pelo dia que assumirá o posto. Isso porque, no Amazonas, a escolha do vice passou pelas três perguntas acima e, claro, eles tem muito mais a oferecer no exercício do mandato.
A um dia do fim do prazo para as convenções que homologam as chapas, essas perguntas e cálculos políticos já foram respondidas por três dos principais candidatos ao governo. E o peso de cada um dos escolhidos reflete o quanto eles pesam na balança da chapa.
Roberto Cidade mantém Serafim Corrêa
O governador Roberto Cidade (União Brasil) optou por manter na chapa o economista Serafim Corrêa (PSB), que atende às três perguntas fundamentais. Não se pode dizer que ele seja um campeão de votos, mas sempre obteve sucesso relativo nas eleições das quais participou, tendo sido eleito vereador em Manaus, deputado estadual por três vezes e prefeito de Manaus, e, também, secretário em governos municipal e estadual.
Esse histórico garante a Serafim uma resposta positiva à terceira pergunta, pois quem ocupou tantos cargos públicos sempre tem trabalho a mostrar ao eleitorado.
Por fim, Serafim agrega a Cidade um prestígio que ele, pela idade, ainda não construiu, já que, como dirigente do PSB e auditor fiscal aposentado da Receita Federal, tem portas abertas em Brasília e num eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Alessandra Campelo e a disputa pelo voto feminino
O caso de Alessandra Campelo (PSD), vice na chapa de Omar Aziz (PSD), é o típico exemplo de escolha pelo potencial de voto que agrega ao time. A deputada não é fraca em votos e tem trabalhos relativos em pastas executivas de Esportes e Assistência Social, mas foi escolhida essencialmente por ser mulher e ter a missão de confrontar a única pré-candidata mulher ao governo, a empresária Maria do Carmo, na disputa pelo voto do eleitorado feminino, majoritário no Amazonas.
Shádia Fraxe e o capital político da saúde
A escolha da médica Shádia Fraxe (Avante) a vice de David Almeida (Avante) também entra na briga pelo voto feminino. Fora isso, a aposta também se volta por ela ter feito um bom trabalho como secretária municipal de Saúde nas gestões do ex-prefeito.
Até porquê, a saúde será um tema explorado por David para questionar seus adversários diretos, que, na avaliação dele, deixaram um legado ruim nesse campo sensível ao eleitorado. Mesmo sem força de voto própria, Shádia cumprirá para David o mesmo papel que Alessandra cumprirá para Omar: responder aos ataques feitos por Maria do Carmo e brigar pelo voto das mulheres.
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Maria do Carmo ainda define seu vice
Decidida a manter em segredo a escolha do vice até o último minuto da convenção do PL, na noite desta terça-feira (4), Maria do Carmo já cogitou um nome que agregava votos, o vereador Sargento Salazar; e outro que tivesse trabalhos prestados ao Amazonas, o médico Helder Cavalcante, ex-secretário de Saúde. Ambos já teriam sido descartados.
E agora, há poucas horas da convenção do PL, uma reunião a portas fechadas na sede do partido em Manaus, vai decidir no nome a ser anunciado logo mais á noite. A perspectiva é de um nome ligado ao setor produtivo local, com respeito do empresariado e atuação ativa no debate público.
Então, diferente do que se imagina, vice é sim uma escolha importante na política.





