Verde e amarelo entram no centro da disputa política

Nas manifestações contra o governo Dilma Rousseff, principalmente a partir de 2015, bandeiras do Brasil, camisas da Seleção e as cores nacionais passaram a ocupar os grandes atos de oposição. Com a ascensão de Jair Bolsonaro, essa identidade visual ganhou ainda mais força e, com o passar dos anos, ultrapassou o próprio bolsonarismo, tornando se fortemente associada à direita brasileira.
Do outro lado, o PT construiu ao longo de décadas uma identidade muito ligada ao vermelho e à estrela. Desde sua fundação, em 1980, esses elementos acompanharam campanhas, comícios e a própria militância, consolidando uma associação visual igualmente forte com o partido e com Lula.
É justamente nessa associação que o PT tenta uma estratégia diferente nas eleições de 2026.
Nas últimas semanas, apoiadores de Lula passaram a aparecer com mais frequência vestindo verde e amarelo, usando a camisa do Brasil e fazendo o sinal de L.
Dentro da estratégia de campanha, a mensagem que essa comunicação tenta reforçar é que ser de esquerda não significa abrir mão dos símbolos nacionais. Nas entrelinhas, a ideia é mostrar que quem apoia Lula ou o PT também é brasileiro, também pode vestir a camisa da Seleção, carregar a bandeira e se reconhecer no verde e amarelo.
O movimento amplia a linguagem visual da campanha e tenta dissociar a ideia de patriotismo de um único campo político.
Ao fazer isso, a esquerda entra em uma disputa simbólica com uma associação construída ao longo de anos.
O verde e amarelo continua fortemente relacionado à direita brasileira, enquanto o PT tenta ampliar o significado dessas cores também entre seus eleitores.
Mais do que uma disputa pelas cores, é uma estratégia de comunicação em torno do que elas passaram a representar na política brasileira.





