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Quando o espetáculo substitui a gestão, o fim costuma ser previsível

Os líderes de hoje realmente acreditam que podem repetir a história e ainda assim ter um final diferente?
10/01/26 às 11:05h
Quando o espetáculo substitui a gestão, o fim costuma ser previsível

(Arte: IA)

Ao longo da história, muitos líderes descobriram algo perigoso: é mais fácil distrair do que governar.

Criar narrativas, produzir espetáculo, distribuir entretenimento. Funciona no curto prazo, gera sensação de controle e reduz questionamentos, mas cobra um preço alto.

Quando o espetáculo vira prioridade, a gestão vira detalhe e sem liderança e sem gestão não se sustenta.

Essa não é apenas uma reflexão histórica, é um alerta estratégico para líderes, empresas e governos.

O “pão e circo” como estratégia de poder

Na Roma antiga, governantes adotaram uma prática que ficou conhecida como pão e circo.

A lógica era simples:
• Distribuição de benefícios básicos
• Entretenimento constante
• Pouco espaço para debate real

Enquanto a população estava ocupada, decisões importantes eram tomadas longe do olhar público. Por um tempo, funcionou, a sensação de estabilidade se mantinha, o controle parecia absoluto. Mas o modelo criou dependência.

Não de resultados, mas de distração.

Não de gestão, mas de aplauso.

Quando o espetáculo precisa aumentar constantemente para manter a atenção, algo já está errado.

Quando o caos vira ferramenta

A história avança e apresenta outro exemplo emblemático: Nero.

Após o grande incêndio de Roma, o caos deixou de ser apenas tragédia, virou justificativa, virou oportunidade.

Crises passaram a ser usadas para:

• Redesenhar regras

• Concentrar poder

• Ignorar limites institucionais

 

Quando o medo domina, questionar parece arriscado.

E líderes inseguros sabem disso.

O problema é que governar a partir do caos exige algo cada vez maior:

mais controle,

mais narrativa,

mais espetáculo.

Até que não sobra mais confiança.

O fim é conhecido.

Nero terminou isolado, desacreditado e abandonado politicamente.

O padrão que se repete

Nada disso é novo, já aconteceu antes em outros lugares em outras épocas.

Os nomes mudam.

Os contextos evoluem.

A tecnologia avança.

Mas o padrão de poder se repete.

Sempre que líderes escolhem distração no lugar de gestão, três sinais aparecem:

1. Decisões reais ficam opacas

Quanto menos transparência, mais barulho superficial.

2. A narrativa vira mais importante que o resultado

Comunicação sem entrega vira propaganda vazia.

3. A dependência de aplauso cresce

E líderes passam a confundir popularidade com liderança.

A pergunta que permanece

Essa reflexão aqui não é aula de história.

Não é sobre Roma.

Não é sobre Nero.

É sobre padrões de poder.

Os métodos podem até se repetir.

Mas o desfecho também costuma ser o mesmo. E a pergunta que fica é:

Os líderes de hoje realmente acreditam que podem repetir a história e ainda assim ter um final diferente?